A engenheira nigeriana Yinka Ogunbiyi, formada pela Universidade de Harvard, desenvolveu, em parceria com David Afolabi, um robô que promete reduzir para metade o tempo necessário para fazer determinados penteados com tranças. Denominado HaloBraid, o equipamento automatiza a parte mais repetitiva do processo, permitindo às profissionais dos salões de beleza trabalhar mais rapidamente e com menor esforço físico.

Apresentado numa demonstração divulgada na quarta-feira, 28 de Outubro, o dispositivo foi desenvolvido pela empresa Halo, fundada por Ogunbiyi, que conseguiu captar sete milhões de dólares numa ronda de financiamento realizada em Junho.

O HaloBraid funciona como um assistente das trancistas, sem substituir o trabalho manual. A profissional começa por separar o cabelo, aplicar os produtos necessários e iniciar cada trança, definindo o estilo e o formato pretendidos. Depois, coloca a madeixa no equipamento, que dá continuidade ao entrançamento. No final, volta a intervir para concluir o penteado.

Segundo a empresa, o robô consegue completar cada trança até cinco vezes mais depressa do que o método tradicional, podendo reduzir uma sessão de seis para cerca de três horas, dependendo do penteado.

A tecnologia foi concebida para trabalhar com estilos como box braids e tranças sem nós (knotless braids), procurando diminuir os movimentos repetitivos associados a sessões que podem prolongar-se durante várias horas.

Yinka Ogunbiyi é engenheira biomecânica, formada pela Universidade de Harvard, e inventou o HaloBraid

A ideia surgiu em 2020, durante o confinamento provocado pela pandemia da covid-19, quando Ogunbiyi demorou quatro dias a entrançar o próprio cabelo. A experiência levou-a a procurar uma solução tecnológica para acelerar o processo e reduzir o desgaste físico das profissionais.

Em Junho deste ano, a Halo anunciou uma ronda de financiamento de sete milhões de dólares, liderada pela Seven Seven Six, sociedade de investimento fundada por Alexis Ohanian, co-fundador do Reddit. A operação contou também com a participação da AlleyCorp e da Bling Capital.

O investimento destina-se a apoiar os testes do equipamento, a preparação da produção e o estabelecimento de parcerias com salões de beleza.

Apesar das vantagens anunciadas, subsistem dúvidas sobre a capacidade do robô para trabalhar diferentes tipos de cabelo, garantir a uniformidade das tranças e evitar danos nos fios. A empresa assegura que a tecnologia foi desenvolvida para reduzir a tracção exercida sobre o cabelo, mas o seu desempenho ainda terá de ser avaliado numa utilização mais alargada.

Segundo a Halo, mais de 7000 salões já manifestaram interesse no equipamento. A empresa prepara uma introdução gradual no mercado, através de parcerias com profissionais, embora ainda não tenha divulgado um calendário definitivo para a sua disponibilização.

Fonte: Mundo Negro