Angola arrecadou 7,3 mil milhões de euros com as exportações de petróleo bruto no terceiro trimestre de 2026, apesar de ter exportado menos barris do que no mesmo período de 2025. Os dados divulgados pelo Governo angolano mostram que a subida dos preços internacionais do petróleo permitiu aumentar as receitas em termos anuais, mesmo com a redução do volume exportado.
Segundo o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, Angola exportou cerca de 88,74 milhões de barris de petróleo, a um preço médio ponderado de 93,825 dólares por barril. Durante a abertura de um evento dedicado às exportações de petróleo bruto e gás natural, o governante explicou que o volume exportado aumentou 0,22% face ao segundo trimestre de 2026, mas diminuiu 2,87% em comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar da subida anual das receitas, o valor bruto das exportações de petróleo recuou 6,71% em relação ao segundo trimestre de 2026. Em contrapartida, na comparação com o terceiro trimestre de 2025, registou um crescimento de 31,82%, impulsionado pela valorização dos preços do petróleo no mercado internacional, segundo José Barroso.
A China continuou a ser o principal destino do petróleo bruto angolano, recebendo 39,86% do total exportado. A Índia ficou em segundo lugar, com 18,45%, seguida da Itália, com 5,63%, e da Espanha, com 5,03%. Os dados confirmam a importância dos mercados asiáticos e europeus para as exportações petrolíferas de Angola.
No sector do gás natural, Angola exportou cerca de 788,96 mil toneladas métricas, das quais 94,44% corresponderam a gás natural liquefeito (GNL). O volume representou uma queda de 48,11% face ao segundo trimestre de 2026 e de 51,49% em relação ao período homólogo de 2025. Segundo os dados apresentados, a redução esteve associada à paragem programada para manutenção da fábrica Angola LNG (ALNG).
As receitas brutas das exportações de gás natural totalizaram cerca de 867,1 milhões de dólares, menos 30,12% do que no trimestre anterior e 3,40% abaixo do valor registado no terceiro trimestre de 2025. A Índia foi o principal destino do GNL angolano, absorvendo 83,14% do volume exportado, seguida da Coreia do Sul, com 8,64%, e da Indonésia, com 8,21%.
José Barroso afirmou que o desempenho do sector petrolífero depende de factores externos, como a evolução da economia mundial, a segurança das rotas marítimas, as decisões dos países produtores e a procura dos principais mercados consumidores. Por isso, defendeu uma melhor monitorização do mercado e uma maior coordenação entre as instituições públicas e as empresas do sector.
O secretário de Estado sublinhou ainda a necessidade de analisar os resultados, identificar os factores que afectam o desempenho das exportações e adoptar medidas para reforçar a competitividade dos hidrocarbonetos angolanos e proteger os interesses do Estado. Entre os factores que influenciam o mercado, destacou a procura global, as decisões dos principais produtores, as reservas estratégicas e a evolução geopolítica nas regiões produtoras e nas rotas de transporte.





