O ouro está a cair quase 1% esta manhã, não tendo conseguido encontrar um novo catalisador no discurso de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, após o banco central ter decidido manter as taxas de juro inalteradas na quarta-feira (28). Um novo aperto monetário é esperado para Dezembro. 

Nesta manhã, o metal precioso, que não rende juros, cede 0,94% para 4029,60 dólares por onça, depois de ter conseguido acelerar de forma moderada nos últimos três dias. O ouro deve fechar o mês em território negativo pela segunda vez consecutiva, tendo já desvalorizado cerca de 3% em Outubro. 

O Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) votou a favor de uma manutenção dos juros, com apenas dois votos a apelarem a uma mexida. No discurso após a decisão, o presidente do banco central afirmou que a entidade vai reduzir as vezes que decide sobre política monetária de oito para seis por ano – um movimento que deve criar ainda mais incerteza, antecipam os analistas.

A atenção dos investidores vira-se agora para a evolução do indicador favorito da Fed para medir a inflação, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que vai ser conhecida esta quinta-feira. Em Setembro, o índice terá acelerado de 3,4% para 3,6% em termos homólogos, reforçando a narrativa de uma política monetária mais restritiva para fazer face a uma inflação persistente. 

Com o ouro a oscilar perto do limiar dos 4 mil dólares grande parte desta semana, os investidores “estão numa postura de esperar para ver”, afirma Ole Sloth Hansen, director de estratégia de Matérias-Primas do Saxo Bank, à Bloomberg. “Depois de ter recuperado de um importante nível de suporte técnico em torno dos 3970 dólares, o braço de ferro entre os vendedores impulsionados pela dinâmica de curto prazo e os acumuladores de longo prazo continua”, acrescenta.