A economia moçambicana está a recuperar, mas o crescimento continua aquém do necessário para melhorar significativamente as condições de vida da população. O alerta foi deixado esta quarta-feira, 28 de Outubro, pelo governador do Banco de Moçambique (BdM), Felisberto Dinis Navalha, que identificou a dívida pública e os atrasados do Estado como obstáculos ao financiamento das empresas.

Na abertura da 51.ª reunião do Conselho Consultivo do banco central, em Tete, o responsável assinalou que, depois de uma contracção de 0,2% em 2025, a economia cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026. O desempenho traduz uma recuperação, mas permanece abaixo do potencial do País e das necessidades de combate à pobreza.

Citado pela Lusa, Navalha apontou o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e a subida dos preços internacionais dos combustíveis, alimentos e transportes como factores que condicionam a actividade económica.

No plano interno, a dívida pública e a acumulação de pagamentos em atraso por parte do Estado continuam a pressionar o custo do crédito e a limitar a disponibilidade de financiamento para o sector privado. Segundo o governador, estes factores contribuem para concentrar a liquidez dos bancos em instrumentos do mercado monetário, restringindo os recursos canalizados para a economia.

Bancos Sólidos, Mas Financiamento Condicionado

Os indicadores apresentados pelo banco central mostram um sector bancário com capacidade para resistir a choques. Em Setembro, o rácio de solvabilidade situava-se em 29% e o de liquidez em 55,5%, enquanto o crédito malparado rondava os 7%.

A solidez financeira dos bancos coexiste, assim, com dificuldades de acesso ao crédito por parte das empresas. A disponibilidade de liquidez no sistema não se traduz automaticamente em financiamento ao investimento, num contexto marcado pelas pressões da dívida pública e pelos atrasados do Estado.

Recuperação Moderada em 2027

Para 2027, o BdM antevê a continuidade da recuperação, sustentada pela agricultura, pela indústria extractiva e pelos serviços. A expansão deverá, contudo, manter um ritmo moderado e permanecer exposta a riscos internos e externos.

Entre as principais ameaças, Navalha destacou a evolução da dívida pública, os pagamentos em atraso do Estado, os fenómenos climáticos extremos e as tensões geopolíticas. Um agravamento destas pressões poderá levar o banco central a rever a actual orientação da política monetária.

Para o governador, acelerar o crescimento exige uma resposta que vá além das medidas monetárias. Maior disciplina fiscal, melhoria do ambiente de negócios e reformas estruturais são condições necessárias para estimular o investimento e transformar a recuperação económica em emprego e melhoria das condições de vida.