O Governo de Cabo Verde pretende garantir acesso à electricidade a toda a população até 2028, através da ligação dos agregados familiares ainda sem energia e da regularização de ligações clandestinas, anunciou esta quarta-feira, 28 de Outubro, o ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos, José Carlos Moniz.
“Queremos alcançar o acesso universal à electricidade até 2028”, afirmou o governante durante um painel sobre energia, no 2.º Fórum de Investimento na África Lusófona, que decorre na ilha do Sal.
Actualmente, a cobertura eléctrica do país é de 97%, pelo que o Executivo pretende assegurar o acesso aos restantes 3% da população nos próximos dois anos. A meta consta do Compacto Nacional de Cabo Verde, elaborado no âmbito da Missão 300, uma iniciativa que reúne parcerias estruturadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pela Corporação Financeira Internacional (IFC) para acelerar a expansão do acesso à electricidade em África.
Com o apoio destas instituições, 35 países já definiram compactos nacionais que estabelecem estratégias para expandir as redes eléctricas, através de reformas de políticas públicas e da mobilização de financiamento público, privado e de instituições de desenvolvimento. Além do acesso universal, Cabo Verde prevê aumentar a participação das energias renováveis para 70% até 2031 e 100% até 2040. Para atingir a meta intermédia, o país estima necessitar de 520 milhões de dólares em investimentos, dos quais 295 milhões de dólares deverão provir do sector privado.
A Guiné-Bissau apresentou igualmente o seu compacto nacional, num contexto em que apenas 40% da população tem acesso à electricidade e em que algumas unidades de saúde e instituições de ensino continuam sem energia.
O plano estabelece como objectivo alcançar o acesso universal à electricidade até 2030, mediante a concretização do cenário de investimento considerado ideal, avaliado em 700 milhões de dólares, incluindo 280 milhões de dólares de capital privado.
Para Pedro Coutinho, fundador e director-executivo da Source Energy, empresa dedicada a projectos de energias renováveis, os compactos nacionais permitem aos investidores conhecer as prioridades de cada país e desenvolver projectos alinhados com os objectivos definidos pelos Governos.
Em declarações à Lusa, o responsável, cuja empresa está a estudar os mercados de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, destacou a importância da assistência técnica do BAD e da IFC para reduzir o tempo de desenvolvimento dos projectos. A preparação prévia dos planos permite aos investidores participar em iniciativas já estruturadas, facilitando a identificação de oportunidades e a implementação dos projectos, explicou.
Coutinho defendeu ainda que o investimento em energias renováveis pode reduzir a dependência dos países em desenvolvimento em relação aos produtores de petróleo e às cadeias logísticas internacionais. Segundo o responsável, os recursos solares e eólicos não exigem transporte de combustível nem estão directamente sujeitos às oscilações dos preços do petróleo. Os avanços tecnológicos no armazenamento de energia, através de baterias, também podem contribuir para reforçar a segurança do abastecimento.
O 2.º Fórum de Investimento na África Lusófona, promovido pela IFC, membro do Banco Mundial dedicado ao sector privado, começou na segunda-feira e termina esta quarta-feira, na ilha do Sal.
De acordo com dados actualizados da IFC, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares para dez projectos nos países africanos de língua portuguesa nos últimos cinco anos.





