A Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial para o sector privado, está a apostar no agro-negócio, turismo e logística para impulsionar o emprego e o crescimento económico na África lusófona. A posição foi defendida por Sameh Wahba, director regional da IFC para a África Ocidental e Sahel, à margem do 2.º Fórum Empresarial da África Lusófona, em Cabo Verde.

“O agro-negócio e o turismo são sectores focais no Banco Mundial porque têm capacidade de criar empregos para muitas pessoas”, afirmou Sameh Wahba, destacando o envolvimento de pequenos produtores. No turismo, acrescentou, “para cada emprego directo que é criado surgem dois ou três empregos indirectos”.

Sameh Wahba destacou também a importância da logística para o transporte de mercadorias e pessoas, considerando-a “um pilar principal para o crescimento económico”. Por isso, estes sectores foram priorizados juntamente com as infra-estruturas, incluindo a energia, essenciais ao desenvolvimento económico.

O fórum registou um aumento das inscrições, de 250, em 2025, para 420 nesta edição, reunindo investidores e representantes de vários Governos. Segundo Cláudia da Conceição, directora regional da IFC para a África Austral, o encontro ajuda a aproximar os mercados lusófonos, que continuam fragmentados. “A lusofonia, se calhar pelo distanciamento dos mercados, nunca esteve constituída como um mercado”, afirmou.

Entre as duas edições, foram concretizados vários negócios no agronegócio, sobretudo em Moçambique e Angola, além de novas iniciativas no sector da energia com participação da IFC. A carteira de projectos activos da instituição nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ascende a 750 milhões de dólares, cerca de 672 milhões de euros. Cláudia da Conceição adiantou que o financiamento ao agronegócio, incluindo o processamento, está a crescer e que serão anunciadas novas parcerias com empresas agrícolas ligadas a produtores locais.

Nos últimos cinco anos, a IFC mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares para dez projectos nos seis países lusófonos africanos: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. A instituição financia empresas através de empréstimos e participações no capital, mobiliza investimento e presta assistência técnica. Sameh Wahba destacou ainda a maior coordenação entre instituições financeiras, como o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Banco Europeu de Investimento (BEI), para responder às necessidades de financiamento.

“A lusofonia, se calhar pelo distanciamento dos mercados, nunca esteve constituída como um mercado”

Cláudia da Conceição

As perturbações geopolíticas mundiais também estão a abrir oportunidades de investimento, segundo Sameh Wahba. A subida dos preços dos combustíveis pode incentivar projectos de energias renováveis e de conversão de gás em electricidade. Na agricultura, a insegurança alimentar agravada pela guerra na Ucrânia e as perturbações no comércio mundial reforçam as oportunidades de investimento e de produção local. Cláudia da Conceição afirmou ainda que os projectos em África apresentam menor probabilidade de incumprimento e retornos superiores aos de outras regiões.

A IFC pretende aumentar a sua presença na região, através de empréstimos e participações no capital de empresas, e reforçar o apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME). “Mas onde vai acontecer, vamos ver”, afirmou Sameh Wahba, referindo-se aos futuros investimentos. A instituição acompanhará os contactos estabelecidos no fórum, que procura consolidar a África lusófona como mercado com cerca de 80 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente 174 mil milhões de dólares.

Fonte: Lusa