O Governo defende o reforço do investimento na investigação científica e na divulgação dos seus resultados, com vista à valorização do conhecimento tradicional sobre plantas medicinais e ao desenvolvimento de soluções acessíveis para melhorar a saúde das comunidades, informou a Agência de Informação de Moçambique.

Segundo o órgão, a posição foi expressa em Maputo pelo secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Isaú Joaquim Meneses, durante a abertura, esta segunda-feira, 26 de Outubro, do seminário científico sobre ciência e inovação em etnobotânica, promovido pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento em Etnobotânica.

“É preciso fazer um investimento relevante para a área da pesquisa e provar às comunidades e ao mundo que as pesquisas têm resultados que beneficiam as populações”, afirmou Isaú Meneses, defendendo que a demonstração do impacto dos estudos poderá incentivar os decisores a aumentar os recursos destinados ao sector.

O governante apelou igualmente à divulgação dos resultados das pesquisas realizadas no País, para que a população conheça e possa beneficiar dos produtos desenvolvidos por investigadores moçambicanos. Segundo explicou, o financiamento à investigação poderá crescer em função do desempenho da economia e da demonstração dos benefícios dos estudos para as condições de vida das comunidades.

Por sua vez, o coordenador de pesquisa do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Etnobotânica, Daniel Mourinho, revelou que a instituição desenvolve estudos sobre intoxicações e propriedades terapêuticas de plantas medicinais, com particular atenção à segurança do seu consumo.

“É preciso fazer um investimento relevante para a área da pesquisa e provar às comunidades e ao mundo que as pesquisas têm resultados que beneficiam as populações”

Isaú Joaquim Meneses

De acordo com o investigador, “a pesquisa sobre intoxicações utiliza registos de unidades sanitárias referentes ao período de 2023 a 2025, com apoio do Ministério da Saúde, e conta actualmente com uma amostra de cerca de 1510 pessoas. Os resultados deverão contribuir para aprofundar o conhecimento sobre os casos registados e a sua eventual relação com o uso de plantas medicinais”.

Outra linha de investigação incide sobre plantas consumidas por mulheres grávidas, incluindo uma espécie conhecida localmente como “Monomoluc”, na província de Nampula. O estudo procura avaliar uma possível associação entre o consumo desta planta e alterações no desenvolvimento fetal. Contudo, Daniel Mourinho esclareceu que a investigação continua em curso e que os dados disponíveis são preliminares.

O Centro estuda ainda óleos essenciais de eucalipto e de outras plantas, com o objectivo de avaliar as suas propriedades antimicrobianas e o potencial de utilização na desinfecção de ambientes.

Daniel Mourinho advertiu, entretanto, que o uso de plantas medicinais em dosagens inadequadas pode representar riscos para a saúde. Por isso, os estudos procuram determinar quantidades seguras de consumo e comprovar cientificamente os efeitos terapêuticos atribuídos a estas plantas.

O seminário pretende aprofundar o conhecimento científico sobre as propriedades das plantas medicinais e os riscos associados à sua utilização inadequada, contribuindo para a promoção da saúde pública e para o aproveitamento seguro dos recursos naturais do País.