O director-executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, defendeu esta segunda-feira (26) que a criação de emprego deve ser um dos principais critérios para avaliar o sucesso dos investimentos e das políticas económicas em África. A posição foi apresentada na abertura da 2.ª edição do Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorre na ilha do Sal, em Cabo Verde.

“O maior desafio do continente africano, actualmente, é criar emprego”, afirmou Harold Tavares, acrescentando que “o maior activo de África não está no subsolo, nem na geografia, está nas pessoas”. O responsável representa 23 países no grupo Banco Mundial, incluindo Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial.

Segundo Harold Tavares, até 12 milhões de jovens africanos entram anualmente no mercado de trabalho, o que torna a criação de emprego uma prioridade para o continente. Por isso, defendeu que o sucesso das políticas e dos investimentos deve ser medido pela sua capacidade de gerar postos de trabalho suficientes e sustentáveis.

O responsável destacou que as prioridades variam de país para país. Angola e Moçambique precisam de diversificar as suas economias, enquanto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe devem aumentar o valor económico gerado pelo turismo e pelos recursos marítimos. Na Guiné-Bissau, Harold Tavares apontou a agricultura como um dos sectores com maior potencial.

O director-executivo do Banco Mundial considerou que o investimento público, embora não seja suficiente por si só, é importante para criar condições para novas iniciativas, tendo acrescentado que existe capital privado disponível, mas os riscos afastam os investidores, defendendo o reforço das garantias para facilitar o investimento em África. Sobre a governação, afirmou que “cada reforma cumprida baixa o prémio de risco”, enquanto os adiamentos têm o efeito contrário.

O responsável do Banco Mundial defendeu também que os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) considerem a criação de um corredor atlântico de portos, articulado com a costa do Índico, em Moçambique. A proposta foi apresentada no fórum, que decorre esta segunda-feira e terça-feira, na ilha do Sal, e é promovido pela Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla inglesa), membro do grupo Banco Mundial dedicado ao investimento no sector privado dos países em desenvolvimento.

A sessão de abertura contou com a presença da presidente interina de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, e do vice-presidente da IFC para África, Ethiopis Tafara. Na ocasião, Ethiopis Tafara afirmou que a realização da 2.ª edição do fórum “envia uma mensagem” de compromisso da instituição “com os países lusófonos”.

Ethiopis Tafara retomou uma ideia apresentada na edição de 2025: transformar as economias fragmentadas dos PALOP num mercado integrado, com cerca de 80 milhões de habitantes e um produto interno bruto (PIB) de 132 mil milhões de dólares. Segundo a organização, o fórum pretende aproximar oportunidades de investimento e capital, promover novas parcerias empresariais e reforçar as ligações económicas entre os países lusófonos e os investidores internacionais.

O encontro decorre sob o tema “Investir na África Lusófona: Potenciar corredores, desenvolver o agro-negócio e impulsionar um turismo sustentável”. De acordo com dados actualizados da IFC, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares para dez projectos nos países africanos de língua portuguesa nos últimos cinco anos.

Fonte: Lusa