Os preços do petróleo recuam mais de 1% esta segunda-feira (26), depois de o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, ter prometido anunciar, em breve, uma decisão sobre os próximos passos na guerra com o Irão. Os investidores continuam cépticos quanto à possibilidade de uma resolução do conflito, numa altura em que as tensões no Médio Oriente permanecem elevadas.

Nesta manhã, o Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, recua 1,07%, para 115,46 dólares por barril, depois de ter atingido máximos de seis meses na sessão anterior. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, está a perder 1,67%, para 101,53 dólares por barril. Em sentido contrário, o gás natural TTF, negociado em Amesterdão, sobe 3,35%, para 97 euros por megawatt-hora.

Durante o fim-de-semana, Donald Trump afirmou à Fox News que “está a chegar a hora de tomar uma decisão” sobre a possibilidade de chegar a um acordo com Teerão ou “acabar com a situação”, sem adiantar pormenores sobre as medidas que poderá adoptar. Do lado iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que Washington “não tentará” atacar a República Islâmica, desde que os EUA actuem de forma racional.

As declarações surgem num contexto de agravamento do conflito. Na semana passada, a Casa Branca ordenou a evacuação de diplomatas no Médio Oriente, após uma série de ataques dos rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, contra a Arábia Saudita. Donald Trump tem dado a entender que poderá retaliar depois das eleições intercalares de 3 de Novembro. Entretanto, segundo a Bloomberg, o Irão estará a preparar novos ataques contra Israel e os Emirados Árabes Unidos.

“O recrudescimento dos combates na região, aliado às preocupações de que uma escalada esteja iminente, significa que os mercados petrolíferos têm de incorporar nos preços o risco de esgotamento dos stocks de petróleo e de produtos refinados”, explicou Vivek Dhar, analista do Commonwealth Bank of Australia, numa nota citada pela Bloomberg.

“Consideramos que os futuros do petróleo Brent terão de subir até aos 150 dólares por barril para provocar uma redução acentuada da procura, à medida que os preços elevados obrigam as economias emergentes asiáticas a reduzir o consumo”, acrescentou o analista.