A artista Patrícia Costa apresenta, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a exposição “O Sol da Meia-Noite”, uma mostra composta por dez obras que resultam de duas décadas de trabalho fotográfico em comunidades moçambicanas. A exposição foi inaugurada a 21 de Outubro e estará patente ao público até 19 de Novembro.
Com curadoria de Yolanda Couto, a exposição reúne fotografias documentais captadas em diferentes contextos sociais de Maputo, Nampula e Sofala. As imagens retratam, entre outras situações, a rotina de pescadores em KaTembe, crianças que brincam junto ao mar em Angoche e mulheres numa casa de espera para grávidas em Sofala.
As obras partem de encontros reais e são acompanhadas por textos curtos da artista, que convidam o público a reflectir sobre as condições de vida, a incerteza e a dignidade das pessoas retratadas. A proposta é levar os visitantes para além da beleza visual das imagens e chamar a atenção para as realidades sociais que estas representam.
A exposição combina fotografia documental com técnicas de colagem, padrões inspirados em África e na Índia e aplicação de folha de ouro. A abordagem evoca a tradição japonesa do “kintsugi”, na qual o ouro destaca as fracturas em vez de as esconder, integrando-as na história do objecto. No trabalho de Patrícia Costa, esta técnica procura valorizar as marcas e contradições da realidade sem ocultar as suas dificuldades.
Entre as obras expostas estão “O Peso da Sobrevivência”, sobre dois pescadores que regressam do mar em KaTembe; “Nove Netos, Seis Mil Meticais”, que aborda as dificuldades de uma mulher que pediu um empréstimo para sustentar os netos; e “À Espera de Uma Vida”, que retrata uma mulher grávida numa casa de espera em Sofala. A mostra inclui ainda “A Infância Não Espera”, inspirada em crianças de Angoche.
Nascida em Portugal e criada entre Moçambique, Brasil, Reino Unido, África do Sul e Angola, Patrícia Costa é formada em Psicologia pela Brunel University e possui um mestrado em Development Management pela London School of Economics. Ao longo de mais de vinte anos, trabalhou nas áreas da saúde, educação, género, nutrição, conservação e desenvolvimento comunitário, em colaboração com organizações internacionais e instituições moçambicanas.
A fotografia começou por ser uma ferramenta de documentação no percurso profissional da artista, tendo evoluído para uma prática artística centrada na percepção e na relação entre quem observa e quem é observado. Patrícia Costa vive e trabalha actualmente em Maputo.
As dez obras estão disponíveis para aquisição. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 19h00, na Fundação Fernando Leite Couto, localizada na Avenida Kim Il Sung, n.º 961, em Maputo.





