Moçambique assinou 17 acordos de financiamento externo no primeiro semestre de 2026, no valor global de 891,69 milhões de dólares, sob a forma de donativos e créditos. O montante supera o total dos acordos de donativos assinados durante todo o ano de 2025, segundo dados do Ministério das Finanças.
Dos recursos mobilizados entre Janeiro e Junho, 861,35 milhões de dólares, equivalentes a 96,6% do total, correspondem a donativos. Os restantes 30,34 milhões de dólares, ou 3,4%, dizem respeito a créditos.
De acordo com o relatório do Ministério das Finanças, os recursos destinam-se ao financiamento de projectos estratégicos nas áreas da energia, transportes, educação, abastecimento de água, protecção social, desenvolvimento rural e resposta a emergências, abrangendo diversos sectores do Estado.
O Banco Mundial foi o principal parceiro financeiro do País neste período, com 751,3 milhões de dólares em donativos, correspondentes a cerca de 84% do financiamento externo mobilizado no semestre.
Entre os principais compromissos assumidos destaca-se um financiamento adicional de 200 milhões de dólares para o Projecto de Aceleração da Transformação do Acesso à Energia Sustentável e Limpa em Moçambique, integrado num programa regional que abrange vários países da África Oriental e Austral.
O Banco Mundial disponibilizou ainda 150 milhões de dólares para um programa de competências para o emprego e transformação económica, 120 milhões de dólares para protecção social e resiliência económica e 100 milhões de dólares para o programa de economia rural sustentável.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi o segundo maior parceiro financeiro no período, com donativos no valor total de 110,05 milhões de dólares. Os financiamentos incluem projectos ligados ao Corredor Rodoviário Multifuncional de Nacala, à resposta às cheias nas províncias de Maputo e Gaza e ao programa Energia para Todos.
No primeiro semestre, foram igualmente assinados dois acordos de crédito. O primeiro, no valor de 20 milhões de dólares, foi concedido pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e destina-se à construção de duas escolas secundárias nas províncias de Tete e Nampula.
O segundo corresponde a um crédito de 10,34 milhões de dólares, concedido pelo BAD para a construção da Estrada Mueda-Negomano, na província de Cabo Delgado.
O volume de financiamento contratado nos primeiros seis meses de 2026 já ultrapassa o total dos acordos de donativos assinados ao longo de 2025. Nesse ano, Moçambique celebrou 13 acordos de donativos, no valor global de 828,6 milhões de dólares, segundo dados anteriormente divulgados pelo Ministério das Finanças.
Desembolsos de donativos externos continuam abaixo das previsões
Apesar do aumento do financiamento contratado, a execução dos donativos externos continua a enfrentar dificuldades. Em 2025, os donativos efectivamente recebidos por Moçambique caíram para 364 milhões de dólares, uma redução de cerca de metade pelo segundo ano consecutivo. Em 2024, o valor já tinha recuado aproximadamente 50%, para 645 milhões de dólares.
O Governo justificou anteriormente esta evolução com o baixo nível dos desembolsos dos parceiros para a execução dos projectos de investimento.
Em 2025, os donativos externos corresponderam a 40,9% da previsão anual, enquanto os créditos externos totalizaram 98 milhões de dólares, equivalentes a 21,6% da meta estabelecida para o ano.
De acordo com os dados da execução orçamental, as receitas do Estado constituíram a principal fonte de financiamento das contas públicas em 2025, representando 76,8% dos recursos mobilizados. Seguiram-se os créditos internos, com 7,9%, os donativos externos, com 5,2%, e os créditos externos, com 1,4%.
Fonte: Lusa





