O Presidente da República, Daniel Chapo, participa de 23 a 25 de Outubro na 12.ª edição do Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África, que decorre em Bahir Dar, na Etiópia. As partes vão procurar soluções africanas para os desafios da paz, segurança e soberania económica.

Segundo um comunicado da Presidência da República, Chapo será o principal orador de um painel subordinado ao tema: “Das Margens ao Centro: Construindo um Modelo Africano para a Paz e a Soberania numa Era de Rivalidade Geopolítica”.

O evento realiza-se sob o tema “Caminhos para a Paz em África: Soberania Económica e Transformação Geopolítica” e reúne líderes e especialistas para discutir estratégias de promoção da paz, reforço da segurança e desenvolvimento sustentável no continente.

O chefe do Estado faz-se acompanhar pela primeira-dama, Gueta Selemane Chapo, pelo ministro do Interior, Paulo Chachine, e pelo embaixador de Moçambique na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Nuno Tomás, além de outros quadros da Presidência.

Desde Outubro de 2017 que Cabo Delgado, norte de Moçambique – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.

O conflito, associado a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, já provocou mais de 6600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados desde 2017, segundo organizações internacionais. A violência destruiu infra-estruturas, interrompeu actividades económicas e limitou o acesso a serviços essenciais.

Num relatório divulgado em Setembro, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou que cerca de 1,38 milhão de pessoas viviam com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.

O documento registou também mais de 400 incidentes associados ao conflito no primeiro semestre de 2026, um aumento de 10% face ao período homólogo de 2025, e advertiu que o regresso das famílias não significa necessariamente a recuperação das condições de segurança e dos meios de subsistência.