A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a preparar a instalação de um teleférico turístico de grande capacidade na vila do Songo, província de Tete, centro de Moçambique, numa iniciativa que visa reforçar o potencial turístico da região e valorizar as áreas circundantes à barragem de Cahora Bassa, uma das maiores infra-estruturas hidroeléctricas de África.
De acordo com a Lusa, a empresa lançou um concurso de manifestação de interesse para a pré-qualificação de consultoras especializadas, que deverão prestar assistência técnica nos processos de aquisição, instalação e entrada em funcionamento do futuro teleférico. O projecto prevê a contratação de uma empresa de consultoria responsável por acompanhar todas as etapas de implementação da infra-estrutura, desde a realização de estudos de viabilidade técnica, económica e operacional até à instalação dos equipamentos, realização de testes, certificação e início das operações.
Segundo o caderno de encargos, a consultora seleccionada deverá avaliar diferentes soluções tecnológicas, definir o traçado do teleférico, identificar a localização das estações e determinar as infra-estruturas complementares necessárias ao funcionamento do sistema. A empresa contratada terá igualmente a responsabilidade de apoiar a HCB nos procedimentos de contratação, supervisão dos trabalhos, formação de equipas técnicas e transferência de conhecimentos, com vista a assegurar a futura operação do equipamento.
Para participar no concurso, as empresas interessadas deverão demonstrar experiência comprovada, nos últimos dez anos, em projectos semelhantes, incluindo teleféricos turísticos, telecabines urbanas e outros sistemas de transporte por cabo de elevada complexidade técnica. O prazo para a apresentação das manifestações de interesse termina a 3 de Novembro, seguindo-se o processo de selecção das empresas que poderão participar nas fases posteriores de contratação.
A iniciativa integra a estratégia de valorização turística que a HCB tem vindo a desenvolver na região de Cahora Bassa, procurando aproveitar o potencial histórico, ambiental e paisagístico da vila do Songo e das áreas próximas da barragem.
Em Maio de 2026, a empresa anunciou a elaboração de um Plano Director de Turismo para a vila do Songo e zonas circundantes, reconhecendo a necessidade de criar instrumentos de planeamento capazes de promover o aproveitamento dos recursos turísticos existentes. Na altura, a HCB identificou a ausência de instrumentos estruturados de planeamento como um dos factores que limitam a valorização do património local e a atracção de investimentos para o sector turístico.
A estratégia de promoção turística contempla ainda outras iniciativas, incluindo o projecto de criação de um museu tecnológico, cujo processo de concepção foi lançado em 2025, com o objectivo de preservar e divulgar a história da construção e exploração da barragem de Cahora Bassa. A vila do Songo, construída para apoiar as obras da barragem, está localizada a cerca de cinco quilómetros a leste da infra-estrutura hidroeléctrica, num planalto situado a mais de 700 metros de altitude, sobre o vale do Zambeze. A sua localização e características paisagísticas constituem alguns dos atractivos que a HCB pretende valorizar através dos novos projectos turísticos.
Conforme noticiou anteriormente o Diário Económico, a elaboração do Plano Director de Turismo procura criar condições para atrair investimentos e promover o aproveitamento do potencial turístico da região.
A barragem de Cahora Bassa, construída entre 1969 e 1974, iniciou a exploração comercial em 1977 e possui actualmente uma capacidade instalada de 2075 megawatts (MW). A infra-estrutura assegura mais de 80% da produção de electricidade de Moçambique e exporta energia para vários países da África Austral.
A albufeira de Cahora Bassa, considerada a quarta maior de África, ocupa aproximadamente 2700 quilómetros quadrados e estende-se por cerca de 270 quilómetros ao longo do rio Zambeze. O projecto do teleférico encontra-se ainda numa fase preparatória, não tendo sido divulgado o valor previsto do investimento nem o calendário para o início das obras.





