Duas vulnerabilidades críticas no PHP, uma linguagem de programação amplamente utilizada na Internet, levaram instituições públicas e outras organizações europeias a suspender temporariamente os seus sites na quarta-feira, 21 de Outubro. As falhas, descobertas com recurso à inteligência artificial (IA), podem permitir o controlo de servidores à distância, e a Cloudflare já detectou tentativas de exploração.

O CERT-EU, serviço de cibersegurança das instituições da União Europeia, recomendou a aplicação imediata das correcções. Quando a actualização não for possível, aconselha as organizações a ponderarem o isolamento das aplicações expostas à Internet até que os sistemas estejam corrigidos e a intervenção seja verificada.

As vulnerabilidades, conhecidas em conjunto como “PHP2Shell”, permitem executar código malicioso em servidores afectados sem autenticação prévia. Um atacante poderá, assim, aceder a dados sensíveis, interromper serviços ou utilizar o servidor comprometido para avançar sobre outros sistemas da rede.

A equipa de desenvolvimento do PHP disponibilizou as correcções a 21 de Outubro, nas versões 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 e 8.5.12, e apelou à actualização imediata. Os responsáveis alertaram que as medidas alternativas de protecção são incompletas e que a actualização constitui a solução segura.

Segundo a Reuters, foram suspensos sites na Alemanha, França, Bélgica, Finlândia e Países Baixos. Entre os serviços afectados encontravam-se portais governamentais, hospitais, escolas e outras organizações.

Nos Países Baixos, a suspensão abrangeu o Porto de Roterdão, o portal público Overheid.nl, a federação nacional de futebol e vários partidos políticos. Na Finlândia, o centro estatal de tecnologias de informação classificou a interrupção dos serviços públicos digitais como preventiva e afirmou não ter identificado tentativas de exploração. Também as autoridades alemãs indicaram que a suspensão dos sites não resultava de incidentes de segurança conhecidos.

A Cloudflare, que fornece serviços de infra-estrutura e segurança para a Internet, confirmou ter observado tráfego de ataque dirigido aos seus clientes e tentativas de contornar as protecções implementadas. A empresa reforçou os mecanismos de filtragem, mas sublinhou que estes não substituem a instalação das correcções.

As falhas encontram-se no próprio software PHP. Por isso, actualizar apenas o código de um site ou os seus módulos adicionais não resolve o problema: é necessário actualizar a versão de PHP que suporta as aplicações, em articulação com o fornecedor de alojamento, quando aplicável.

A OpenAI informou que a empresa de investigação Calif identificou uma das vulnerabilidades utilizando um dos seus modelos de IA, enquanto a Wiz descobriu e comunicou ambas de forma independente. A tecnológica participou na coordenação da resposta e classificou o caso como um dos problemas de segurança de maior impacto dos últimos tempos, pela gravidade das falhas e pela utilização generalizada do PHP.

Nos Estados Unidos da América, a divisão de cibersegurança do FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA) emitiram igualmente alertas. Além da actualização dos sistemas, recomendaram a vigilância de actividades suspeitas e a suspensão temporária dos serviços que não possam ser protegidos de imediato.

Fonte: RTP Notícias