O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira, 21 de Outubro, em Maputo, a remoção das barreiras que dificultam o acesso das mulheres ao crédito bancário, à terra, à tecnologia e aos mercados. O chefe do Estado apelou também ao investimento em serviços de apoio à infância, considerando que as responsabilidades familiares condicionam a participação económica feminina.

Na abertura do Diálogo Nacional do 2.º Fórum Económico da Mulher, Chapo defendeu que o financiamento deve ser acompanhado de condições para produzir e comercializar, permitindo transformar actividades de subsistência em negócios sustentáveis, capazes de gerar rendimentos e emprego.

“O financiamento por si só não é suficiente”, afirmou, citado pela Lusa, sublinhando a necessidade de ligar o crédito à produção, ao acesso aos mercados e à capacidade de reinvestimento das empreendedoras.

Para as mulheres das zonas rurais, o Presidente destacou que o acesso à terra deve ser complementado por assistência técnica, sistemas de irrigação, financiamento e oportunidades de comercialização. O objectivo, explicou, é aumentar a produtividade e permitir que o trabalho agrícola se traduza em maiores rendimentos.

Chapo apontou igualmente a necessidade de reduzir os obstáculos associados às responsabilidades familiares. Neste domínio, defendeu investimentos em creches, centros infantis e soluções comunitárias de cuidados que facilitem a conciliação entre o trabalho e a vida familiar.

“O tempo da mulher é igualmente um recurso económico que devemos valorizar”, declarou.

No plano empresarial, apelou às instituições financeiras para desenvolverem produtos ajustados à realidade das mulheres empreendedoras e às grandes empresas para ampliarem a participação de negócios liderados por mulheres nas suas cadeias de valor.

O chefe do Estado defendeu ainda uma maior presença feminina na energia, logística, indústria, construção civil, petróleo e gás, bem como nas economias digital e azul. Segundo Chapo, essa participação exige condições que permitam às empresárias expandir as suas actividades e passar da subsistência à produção em maior escala.

O encontro decorre sob o lema “Mais Investimento na Mulher, Mais Crescimento para Moçambique” e reúne representantes do Governo, da sociedade civil, do sector empresarial, da academia e de parceiros de cooperação para discutir o empreendedorismo feminino e o acesso ao financiamento.