O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) assinou 12 memorandos de entendimento, avaliados em 4,2 mil milhões de dólares, para a instalação de indústrias de processamento de recursos minerais em Moçambique. Os acordos inserem-se numa aposta na transformação local de matérias-primas e na criação de emprego, segundo a agência Lusa.
Os memorandos foram assinados nesta terça-feira, 20 de Outubro, em Nacala, na província de Nampula, durante a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis, organizada pelo Governo. Abrangem projectos de processamento de grafite, pedras preciosas, sílica, cobre, titânio, zircão, ferro e quartzo.
Na abertura do encontro, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que os acordos, celebrados com empresas nacionais e estrangeiras, representam um compromisso com a industrialização do País e com a concretização das promessas do Governo.
“O nosso objectivo e a nossa visão é: os investimentos que nós mobilizamos hoje, 4,2 mil milhões de dólares, aconteçam em Moçambique. Isto vai gerar renda para o povo moçambicano, emprego, com a industrialização, principalmente para jovens e mulheres e, sobretudo, vai inverter a nossa balança de pagamentos”, declarou.
O chefe do Estado defendeu que os memorandos devem evoluir para projectos concretos e bancáveis, capazes de gerar rendimentos e salários para os moçambicanos.
“O nosso objectivo e a nossa visão é: os investimentos que nós mobilizamos hoje, 4,2 mil milhões de dólares, aconteçam em Moçambique. Isto vai gerar renda para o povo moçambicano, emprego, com a industrialização, principalmente para jovens e mulheres e, sobretudo, vai inverter a nossa balança de pagamentos”
Daniel Chapo
Projectos abrangem várias províncias
Entre os investimentos previstos estão fábricas de grafite esférico no distrito de Nacala-a-Velha, unidades de lapidação de pedras preciosas em Manica e uma fábrica de vidro associada à exploração de areia de sílica, na província de Maputo.
Os acordos incluem ainda uma unidade de processamento de cobre em Moatize, na província de Tete, quatro unidades de processamento de grafite, titânio e zircão em Nacala e projectos de fundição de ferro em Manica.
Está igualmente prevista a construção de uma unidade industrial de processamento de quartzo de dimensão nacional, bem como o desenvolvimento de estratégias para aumentar o valor acrescentado dos recursos minerais produzidos no País.
Para Daniel Chapo, a transformação local das matérias-primas deve ampliar a actividade industrial, criar emprego e reforçar a participação de empresas moçambicanas nas cadeias de valor dos recursos naturais.
Nacala deverá receber dois parques industriais
O Presidente anunciou ainda que o Governo pretende construir dois parques industriais em Nacala, aproveitando o estatuto da região como zona económica especial. A iniciativa deverá avançar sob a designação Nacala Park Management Company.
Segundo Daniel Chapo, os parques deverão oferecer aos investidores terrenos infra-estruturados, água, energia, estradas e segurança, condições que considerou essenciais para a instalação e o funcionamento de unidades industriais.
O chefe do Estado sublinhou também a necessidade de desenvolver fornecedores nacionais através do conteúdo local e de reforçar a participação das pequenas e médias empresas (PME), muitas das quais pertencem a jovens e mulheres moçambicanas.
“Devemos aumentar a transformação local, desenvolver fornecedores nacionais através do conteúdo local, e, sobretudo, apostarmos em pequenas e médias empresas, que na sua maioria são de jovens e mulheres moçambicanas”, afirmou, classificando esta orientação como uma agenda de soberania económica.
“Devemos aumentar a transformação local, desenvolver fornecedores nacionais através do conteúdo local, e, sobretudo, apostarmos em pequenas e médias empresas, que na sua maioria são de jovens e mulheres moçambicanas”
Daniel Chapo
Segunda fase da fábrica de grafite em Niassa
Daniel Chapo referiu-se igualmente à fábrica de processamento de grafite inaugurada em Janeiro deste ano na província do Niassa, um investimento de capital chinês avaliado em cerca de 200 milhões de dólares.
A unidade transforma localmente o minério para aplicações industriais de maior valor acrescentado. O Presidente anunciou que a segunda fase do projecto deverá arrancar e reiterou que o Governo continua a apoiar o investidor na criação de melhores condições para o negócio.
Segundo o chefe do Estado, a expansão da capacidade nacional de processamento faz parte do esforço para o País deixar de depender apenas da extracção e exportação de matérias-primas em bruto.
PR promete combater burocracia e corrupção
O Presidente voltou a comprometer-se com o combate à corrupção, à burocracia e ao que designou por “complicómetro”, factores que apontou como obstáculos à entrada e execução de projectos de desenvolvimento.
Daniel Chapo apelou aos empresários para que denunciem casos de corrupção e comuniquem os constrangimentos que enfrentam no País. Defendeu também que as empresas que operam ou pretendem investir em Moçambique devem desenvolver capacidades que lhes permitam atingir padrões internacionais de produção e competir noutros mercados.
Pediu às empresas que divulguem antecipadamente, e de forma transparente, as oportunidades de fornecimento, que promovam a formação e que estabeleçam parcerias empresariais duradouras. Às instituições financeiras, pediu soluções adequadas às necessidades das PME, para facilitar a sua participação nos projectos industriais e nas cadeias de fornecimento.
O sucesso dos 12 memorandos dependerá, assim, da sua transformação em projectos executáveis, capazes de mobilizar investimento, desenvolver fornecedores nacionais e ampliar o processamento de recursos minerais em Moçambique.
A concretização dos 12 memorandos deverá, assim, depender da transformação dos compromissos anunciados em projectos executáveis, com capacidade para mobilizar investimento, desenvolver fornecedores nacionais e ampliar o processamento de recursos minerais em Moçambique.





