Os prejuízos provocados pelo ciclone Freddy na cidade de Quelimane, província da Zambézia, em 2023, estão estimados entre 400 e 600 milhões de dólares, segundo o presidente do Conselho Municipal, Manuel de Araújo. Mais de três anos depois, a autarquia continua a enfrentar dificuldades financeiras para recuperar as infra-estruturas destruídas.

De acordo com o jornal O País, o autarca revelou que os danos continuam visíveis na cidade, afectando escolas, hospitais, pontes e instalações de empresas privadas.

“Os danos provocados pelo ciclone Freddy nas infra-estruturas públicas e privadas na nossa urbe estão orçados entre 400 e 600 milhões de dólares”, afirmou Manuel de Araújo.

O edil falava na segunda-feira, 19 de Outubro, à margem de um encontro do programa “Tornando as Cidades Resilientes 2030”, promovido pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), em parceria com a cooperação alemã.

Durante a intervenção, Manuel de Araújo defendeu a mobilização de financiamento nacional e internacional para apoiar a reconstrução e reforçar a capacidade dos municípios de prevenir e responder aos desastres naturais.

O autarca recordou também os efeitos do ciclone Idai, que atingiu a cidade da Beira em 2019, considerando que estes fenómenos evidenciam as limitações financeiras das autarquias na recuperação de infra-estruturas.

O encontro reúne representantes municipais do Uganda, Maurícias, Namíbia, Egipto e Quénia, com o objectivo de melhorar a preparação de projectos e facilitar o acesso a financiamento internacional.

A responsável pela gestão de programas da UNDRR, Isabel Njihia, esclareceu que a organização presta sobretudo assistência técnica, ajudando os municípios a identificar fontes de financiamento e a preparar candidaturas.

“Queremos que os municípios saiam daqui com conhecimento suficiente para saber elaborar projectos e avançar para os organismos de financiamento internacionais, para captação de investimentos”, afirmou.

A iniciativa pretende reforçar a capacidade das autarquias africanas para obter recursos destinados à prevenção de desastres, à adaptação climática e à recuperação das infra-estruturas afectadas.