Moçambique e África do Sul assinalam, esta segunda-feira, 19 de Outubro, os 40 anos da morte de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, com uma cerimónia conjunta em Mbuzini, na província sul-africana de Mpumalanga. A homenagem decorre no monumento e museu dedicados ao antigo chefe do Estado, no local do desastre aéreo de 1986.

Está prevista a presença dos presidentes de Moçambique, Daniel Chapo, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, bem como de governantes, representantes diplomáticos, veteranos das lutas de libertação e familiares das vítimas. A iniciativa pretende preservar a memória de Machel e reconhecer o seu contributo para a independência e a libertação dos povos da África Austral.

O avião presidencial, um Tupolev Tu-134A, despenhou-se a 19 de Outubro de 1986, quando regressava da Zâmbia a Maputo. Além de Samora Machel, morreram membros da delegação presidencial e da tripulação.

Quatro décadas depois, as circunstâncias do desastre continuam por esclarecer de forma consensual. A comissão de inquérito presidida pelo juiz sul-africano Cecil Margo atribuiu o acidente a falhas da tripulação. As conclusões foram contestadas pela delegação soviética, que avançou a hipótese de um falso radiofarol ter desviado o avião.

Mais tarde, a Comissão de Verdade e Reconciliação sul-africana examinou novos testemunhos e elementos sobre o caso, sem estabelecer uma explicação definitiva para o desastre.

Samora Machel assumiu a presidência da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) em Maio de 1970, após um período de liderança colectiva que se seguiu ao assassinato de Eduardo Mondlane, em Fevereiro de 1969. Sob a sua liderança, o movimento prosseguiu a luta armada contra o domínio colonial português, iniciada em 1964.

A Revolução de 25 de Abril de 1974, em Portugal, abriu caminho às negociações para a independência. Os Acordos de Lusaka, assinados a 7 de Setembro desse ano, estabeleceram as condições para a transição. A 25 de Junho de 1975, Machel proclamou a independência de Moçambique e tornou-se o seu primeiro Presidente.

O novo Estado adoptou um regime de partido único, dirigido pela Frelimo. Em 1977, começou a guerra civil contra a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), movimento apoiado inicialmente pela Rodésia e, posteriormente, pelo regime sul-africano do apartheid.

No plano regional, Machel destacou-se pela oposição aos regimes de minoria branca e pelo apoio aos movimentos de libertação. A cerimónia de Mbuzini homenageia esse percurso e recorda as vítimas de um desastre que permanece entre os episódios mais marcantes da história política da África Austral.