O Zimbabué deverá integrar o grupo das 15 maiores economias africanas em 2026, com um Produto Interno Bruto (PIB) projectado em 65,92 mil milhões de dólares, impulsionado pela actividade mineira, pela recuperação da agricultura e pelo aumento das receitas de exportação de ouro, apesar dos desafios cambiais e da dívida.
De acordo com o World Economic Outlook de Outubro de 2026, do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Zimbabué ocupa a 14.ª posição entre as maiores economias de África, à frente dos Camarões, com 64,81 mil milhões de dólares, e da Tunísia, com 62,74 mil milhões de dólares. Em 2025, o país ocupava o 17.º lugar, com um PIB de 51,22 mil milhões de dólares, tendo subido para a 16.ª posição, com 56,71 mil milhões de dólares, nas estimativas de Abril de 2026.
A economia zimbabueana deverá crescer 5% em 2026, depois de uma expansão estimada em 8,3% em 2025. O desempenho é sustentado pelos preços favoráveis do ouro, pela recuperação da produção agrícola e pelas remessas de dinheiro provenientes do estrangeiro. Ainda assim, o país permanece atrás da Tanzânia, cuja economia deverá atingir 96,18 mil milhões de dólares, uma diferença de 30,26 mil milhões de dólares, com um crescimento projectado de 5,9% em 2026.
Dependência do dólar continua a limitar a política monetária
Anos de inflação elevada, desvalorização cambial e sucessivas reformas monetárias reduziram a confiança na moeda local do Zimbabué, levando à utilização generalizada do dólar norte-americano. Em Abril de 2024, o Governo introduziu o Zimbabwe Gold (ZiG), em substituição da moeda anterior, com o objectivo de restaurar a estabilidade monetária. Contudo, segundo uma avaliação do FMI de Maio de 2026, o dólar continuava a representar cerca de dois terços do valor dos pagamentos no sistema nacional.
A transição monetária afectou também grandes empresas, como a Econet Wireless Zimbabwe, fundada pelo empresário Strive Masiyiwa, que adaptou os seus sistemas de pagamento para acomodar o ZiG. Embora a utilização do dólar ajude famílias e empresas a proteger o seu poder de compra contra a desvalorização da moeda local, limita a capacidade do banco central de conduzir uma política monetária autónoma. Em Setembro de 2026, a inflação anual do Zimbabwe Gold atingiu 3,7%, contra 2,9% em Agosto, segundo a Agência Nacional de Estatísticas do país.
Na sua avaliação de Agosto, o FMI reconheceu melhorias na estabilidade económica, mas defendeu a manutenção da disciplina orçamental e a implementação de reformas para reforçar a confiança no sistema financeiro. O Fundo salienta igualmente que o PIB nominal expresso em dólares é influenciado pelas taxas de câmbio e pelos métodos de contabilização nacionais. No caso do Zimbabué, a redenominação das contas nacionais após a introdução do ZiG, em 2024, torna as comparações internacionais mais complexas. Assim, o PIB projectado em 65,92 mil milhões de dólares reflecte a dimensão da economia em termos nominais, não constituindo, por si só, uma medida directa da estabilidade monetária ou do nível de vida da população.
Tanzânia aposta na moeda nacional e no investimento
A Tanzânia adoptou uma abordagem diferente, procurando reforçar a utilização do xelim nas transacções internas. Em Março de 2025, o Governo introduziu regulamentos que obrigam as empresas a fixar os preços dos bens e serviços e a aceitar pagamentos em moeda nacional, com algumas excepções. Paralelamente, a agricultura, a construção, a mineração, o turismo e os investimentos em infra-estruturas têm contribuído para o crescimento económico do país.
A Tanzânia está também a desenvolver um projecto de gás natural liquefeito avaliado em 42 mil milhões de dólares, envolvendo empresas internacionais do sector energético, embora a decisão final de investimento continue pendente. O crescimento projectado de 5,9% reflecte a diversidade das actividades económicas e as perspectivas de investimento, não podendo ser atribuído exclusivamente à política cambial. Tanto a Tanzânia como o Zimbabué continuam expostos às pressões cambiais e aos riscos da conjuntura económica internacional.
Fonte: Business Insider Africa





