Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos da América, desenvolveram um hidrogel inspirado na estrutura dos pulmões humanos, capaz de facilitar a passagem de oxigénio e a libertação do suor através da pele. O material poderá melhorar o conforto e o desempenho de adesivos médicos e dispositivos de monitorização da saúde, sobretudo durante a actividade física e a utilização prolongada.

O estudo, publicado na revista científica Nature, apresenta uma solução para uma das limitações dos hidrogéis convencionais, materiais compostos sobretudo por água, utilizados em adesivos médicos e sensores corporais, mas que podem reter calor e humidade e provocar irritações na pele.

Para desenvolver o novo material, os cientistas incorporaram pequenas partículas de aerogel de sílica, criando uma rede de canais microscópicos que facilita a circulação de ar e a libertação do vapor de água, à semelhança do que acontece nos pulmões.

Apesar de conter cerca de 70% de água, o hidrogel permite a passagem de aproximadamente dez vezes mais oxigénio do que os materiais convencionais. A libertação de vapor de água é também entre dez e 100 vezes superior à de determinados adesivos de silicone e poliuretano.

Nos testes realizados durante o exercício físico, os investigadores verificaram que, após 20 minutos, a temperatura da pele coberta por um adesivo convencional de silicone aumentou 6,5 °C. Na zona protegida pelo novo hidrogel, registou-se uma descida de cerca de 1 °C, acompanhada de uma menor acumulação de suor.

A equipa avaliou ainda o conforto do material em dez voluntários, que utilizaram os adesivos no peito durante uma hora de exercício moderado. Nenhum dos participantes relatou comichão, irritação ou outras reacções adversas.

Numa outra experiência, os investigadores utilizaram o hidrogel para fixar sensores cardíacos à pele, verificando que os dispositivos mantinham a qualidade dos sinais registados durante o exercício e após vários dias de utilização.

O material demonstrou também resistência ao desgaste: depois de 10 mil ciclos de alongamento e compressão, conservou mais de 95% da sua capacidade de permitir a passagem de oxigénio.

Segundo os cientistas, a tecnologia poderá ser utilizada em pensos médicos, sensores corporais e outros dispositivos que necessitam de permanecer em contacto com a pele durante períodos prolongados.

Apesar dos resultados promissores, serão necessários novos estudos para avaliar a segurança, a durabilidade e a eficácia do hidrogel em diferentes condições, antes da sua utilização comercial generalizada.

Fonte: Zap