O antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, anunciou, no sábado (17) , a retirada da sua candidatura ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na sequência de uma votação informal realizada no Conselho de Segurança, durante a qual nenhum dos sete candidatos conseguiu reunir o apoio necessário dos cinco membros permanentes do órgão.
A decisão foi comunicada através de uma declaração publicada nas redes sociais, um dia depois da votação indicativa, realizada a 16 de Outubro, em Nova Iorque. Segundo a Rádio França Internacional (RFI), todos os candidatos receberam pelo menos um voto desfavorável de um dos membros permanentes do Conselho de Segurança, o que representa um obstáculo à sua eleição.
Macky Sall justificou a retirada com a necessidade de facilitar a escolha de uma candidatura capaz de reunir consenso entre os membros do Conselho de Segurança, órgão responsável por recomendar à Assembleia Geral o próximo líder das Nações Unidas. O antigo chefe de Estado senegalês explicou que a decisão foi tomada após consultas com o Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que preside à União Africana, e com o actual Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye.
Na declaração, Sall afirmou que os resultados das sucessivas votações indicativas apontam para uma preferência por uma candidatura proveniente da América Latina e das Caraíbas, admitindo igualmente a possibilidade de o cargo vir a ser ocupado por uma mulher. A candidatura de Macky Sall tinha sido inicialmente apresentada com o apoio do Burundi, mas enfrentou contestação no próprio Senegal, onde o antigo Presidente é acusado de ter ocultado parte da dívida pública durante o seu mandato.
A oposição à sua candidatura também partiu de vítimas da repressão dos protestos registados entre 2021 e 2024, período em que Sall esteve à frente do país. Apesar das críticas, o antigo governante recebeu, em Julho, o apoio do actual Presidente senegalês. A retirada ocorre numa altura em que o processo de escolha do sucessor de António Guterres continua sem consenso. O actual secretário-geral da ONU termina o mandato a 31 de Dezembro de 2026, após dez anos à frente da organização.
Entre os nomes que continuam na corrida destacam-se Rebeca Grynspan, da Costa Rica, Rafael Grossi, da Argentina, e Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana. Contudo, nenhum conseguiu, até à votação de 16 de Outubro, assegurar o apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos da América, Rússia, China, França e Reino Unido.
Para ser eleito, o próximo Secretário-Geral deverá obter pelo menos nove votos favoráveis no Conselho de Segurança, sem qualquer veto dos membros permanentes, antes de a sua nomeação ser submetida à Assembleia Geral das Nações Unidas. A saída de Macky Sall reduz o número de candidatos e mantém em aberto a possibilidade de surgirem novos nomes para a liderança da organização, num processo marcado pela procura de consenso entre as principais potências mundiais.





