O sector mineiro do Zimbabué deverá aumentar a procura de electricidade em 50% nos próximos 12 meses, ultrapassando os 1500 megawatts (MW), face aos actuais 1000 MW. O crescimento da actividade mineira e do processamento local de minerais poderá agravar o défice energético do país, caso o Governo não acelere os investimentos na produção e distribuição de electricidade.

O vice-ministro das Minas e Desenvolvimento Mineiro, Caleb Makwiranzou, afirmou que a expansão do sector está a ultrapassar a capacidade do país de garantir um fornecimento estável de energia. “A mineração é o maior consumidor individual de electricidade do Zimbabué. A procura deverá ultrapassar a oferta actual”, declarou, defendendo uma maior coordenação entre os ministérios responsáveis pelas minas e pela energia.

O consumo das minas ligadas à rede eléctrica nacional já atingiu cerca de 1000 MW, acima dos anteriores 600 a 700 MW, segundo o governante. O sector representa entre 16% e 20% do consumo nacional de electricidade e cerca de 45% da procura conjunta da indústria e da mineração. Estes valores não incluem integralmente a energia produzida pelas próprias empresas através de geradores a diesel e sistemas solares.

A procura deverá continuar a aumentar à medida que as empresas passam da extracção de matérias-primas para o seu processamento local. Entre as actividades que mais energia exigem estão as unidades de concentração de lítio, as fundições de crómio e ferrocromo, as refinarias de metais do grupo da platina, as instalações de moagem e processamento de ouro e a expansão da produção de carvão.

Caleb Makwiranzou afirmou que mais de 100 empresas mineiras e industriais com elevado consumo de energia prevêem necessitar, em conjunto, de cerca de 4000 MW até 2030. A procura de electricidade das minas deverá ultrapassar os 1550 MW nos próximos 12 meses, contra 1000 MW em 2026 e 750 MW em 2023-24. Entretanto, foram emitidas mais de 600 novas licenças de investimento, sendo o sector mineiro responsável por uma parte significativa da expansão prevista.

Apesar deste crescimento, o país enfrenta limitações no fornecimento de energia, devido ao envelhecimento das infra-estruturas de produção e transmissão, às variações da disponibilidade de água na barragem de Kariba e aos elevados custos das fontes alternativas. O défice nacional de electricidade está estimado em cerca de 600 MW, enquanto a capacidade de produção fiável varia entre 1200 e 1600 MW, perante uma procura máxima de aproximadamente 2200 MW.

A necessidade de importar electricidade representa também um encargo financeiro significativo. Entre Janeiro de 2021 e Março de 2026, o Zimbabué gastou 881,7 milhões de dólares na importação de energia. Para as empresas mineiras, as falhas no fornecimento aumentam os custos operacionais e reduzem a produção. Estima-se que cerca de 10% da produção potencial seja perdida anualmente devido a estas limitações, enquanto a electricidade representa aproximadamente um quinto dos custos de produção nas minas.

Para enfrentar o problema, o Ministério das Minas e Desenvolvimento Mineiro pretende reforçar a cooperação com o Ministério da Energia e Desenvolvimento Energético. Entre as medidas propostas estão a garantia de fornecimento às operações mineiras essenciais, a melhoria das previsões de procura e a definição de regras claras para os produtores independentes de energia e para o transporte de electricidade pela rede nacional. O plano inclui ainda o apoio à produção própria de energia e a coordenação dos investimentos na rede, com tarifas e distribuição de combustíveis adequadas.

Fonte: Afropoli