O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quinta-feira, 15, o reforço do investimento na prevenção e redução do risco de desastres naturais no País e apelou à mobilização de financiamento climático internacional e ao cumprimento dos compromissos assumidos pelos países desenvolvidos no apoio às nações mais vulneráveis às alterações climáticas. O chefe do Estado revelou ainda que o Governo está a mobilizar recursos para financiar um plano de reconstrução pós-cheias, orçado em cerca de 1,6 mil milhões de dólares.
Daniel Chapo falou na abertura do 1.º Congresso Internacional de Acção Humanitária e Cooperação (CIAHC-2026), que decorre até amanhã, 16, na cidade da Beira, província de Sofala, onde sublinhou a importância de fortalecer os mecanismos de prevenção, preparação e resposta aos fenómenos climáticos extremos. “Precisamos de fortalecer o sistema de aviso prévio, preparar as comunidades, melhorar o ordenamento territorial, investir em infra-estruturas resilientes e desenvolver capacidades institucionais que permitam antecipar riscos, mobilizar recursos e coordenar intervenções antes, durante e depois das calamidades”, afirmou.
Segundo o chefe do Estado, Moçambique continua particularmente exposto a fenómenos naturais extremos, como ciclones tropicais, cheias e inundações, cuja frequência e intensidade representam desafios para a segurança das comunidades, a preservação das infra-estruturas e o desenvolvimento económico. Chapo defendeu, por isso, que a prevenção deve ter um papel central nas políticas públicas de gestão do risco de desastres, para reduzir os impactos humanos, sociais e económicos das calamidades naturais. “Porque prevenir é proteger vidas, preparar é reduzir vulnerabilidades e reconstruir com resiliência é proteger o nosso futuro”, declarou.
O Presidente adiantou que o Executivo procura financiamento para um plano de reconstrução das regiões afectadas pelas recentes cheias no sul do País. “Estamos neste momento a mobilizar recursos para o financiamento de um plano de reconstrução orçado em cerca de 1,6 mil milhões de dólares”, explicou.
Na mesma intervenção, Daniel Chapo pediu à comunidade internacional que dê maior prioridade à justiça climática e defendeu mecanismos de financiamento capazes de responder às necessidades dos países mais expostos aos efeitos das alterações climáticas. “Um dos temas que nós gostaríamos de ver discutido nesta Conferência Internacional é a justiça climática e o financiamento climático”, afirmou.
O chefe do Estado destacou também o papel dos Comités Locais de Gestão de Riscos e Calamidades, que considera fundamentais para preparar e proteger as comunidades e para mitigar os impactos dos desastres naturais. “Nós, em Moçambique, o nosso segredo de sucesso são os Comités Locais de Gestão de Riscos e Calamidades”, sublinhou.
Por sua vez, o reitor da Universidade Licungo, Boaventura Aleixo, anunciou a criação da Rede Internacional de Investigação e Acção Humanitária, uma plataforma destinada a reforçar a cooperação entre universidades, centros de investigação e instituições de assistência humanitária, com sede inicial no País. Segundo o reitor, a iniciativa pretende dar continuidade à cooperação científica e institucional para lá do congresso, promovendo a investigação, a formação e a partilha de conhecimento sobre os desafios humanitários. “O CIAHC-2026 constitui não apenas a primeira edição de um congresso, mas o ponto de partida para um processo internacional e permanente de investigação, formação e cooperação humanitária”, afirmou.
O encontro, de dois dias, reúne representantes de dez países e prevê a apresentação de 85 comunicações científicas em seis áreas temáticas, entre as quais a gestão do risco de desastres, os conflitos, as deslocações populacionais, o financiamento humanitário e a inclusão social.
Na mesma ocasião, a coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, alertou para o agravamento das necessidades humanitárias, associado aos efeitos das alterações climáticas e à persistência da insegurança na província de Cabo Delgado. “As necessidades humanitárias estão a aumentar. Os desastres climáticos estão a intensificar-se. O conflito e a insegurança no norte de Moçambique continuam a provocar deslocamento de comunidades”, afirmou. A representante advertiu, porém, que esse aumento ocorre num contexto de pressão crescente sobre os recursos financeiros disponíveis. “No entanto, os recursos são cada vez mais limitados”, disse.





