Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais do G20 reúnem-se esta quinta-feira, 15 de Outubro, em Banguecoque, na Tailândia, num contexto de crescente incerteza económica, marcado pelo choque energético provocado pela guerra no Médio Oriente e pelas divergências entre as principais potências mundiais. O encontro, sob presidência dos Estados Unidos da América (EUA), decorre após o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter alertado para os riscos de uma nova deterioração das perspectivas económicas globais.

A reunião realiza-se à margem dos encontros anuais do FMI e do Banco Mundial e constitui a última sessão ministerial do G20 antes da cimeira de chefes de Estado e de Governo, agendada para 14 e 15 de Dezembro, em Miami, nos EUA.

Dois dias antes do encontro, o FMI reviu em alta a previsão de crescimento da economia mundial para 2026, de 3% para 3,1%, mantendo a estimativa de 3,4% para 2027. Apesar da melhoria, a instituição alertou que a economia global continua exposta aos efeitos da guerra no Médio Oriente, que provocou uma subida acentuada dos preços da energia e agravou as pressões inflacionistas.

Segundo as projecções do Fundo, a inflação mundial deverá atingir 4,7% em 2026, acima dos 4,1% registados no ano anterior.

O relatório identifica também uma crescente concentração do crescimento económico. Actualmente, apenas 32 economias representam 95% da expansão mundial, contra 54 na avaliação realizada em Abril.

A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, advertiu que a resistência demonstrada pela economia mundial perante os recentes choques poderá aproximar-se dos seus limites, sobretudo num contexto de elevada dívida pública, custos energéticos persistentes e menor capacidade de resposta dos governos.

Sob presidência norte-americana, o G20 definiu como prioridades o crescimento económico, a modernização da regulação financeira, a redução dos desequilíbrios globais, a transparência e reestruturação da dívida e a melhoria dos pagamentos transfronteiriços.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tem defendido que o grupo regresse à sua “missão central” de promoção do crescimento económico, privilegiando a cooperação financeira e a estabilidade dos mercados.

O encontro decorre, contudo, num ambiente de divergências entre os principais membros. Na reunião realizada no final de Agosto e início de Setembro, em Asheville, nos EUA, os participantes não conseguiram chegar a consenso sobre uma declaração conjunta.

Segundo Scott Bessent, 19 dos 20 membros presentes apoiaram a declaração proposta pela presidência norte-americana, tendo a China sido a única a manifestar oposição.

Washington tem criticado os desequilíbrios comerciais associados à economia chinesa, com Bessent a classificar o excedente externo do país como “insustentável”. As divergências estendem-se à política de sanções e à resposta aos conflitos internacionais, incluindo a guerra envolvendo o Irão e os seus efeitos sobre o abastecimento energético mundial.

Outra fonte de tensão é a ausência da África do Sul das reuniões organizadas sob a presidência norte-americana. Apesar de ter presidido ao G20 em 2025, Pretória não obteve acreditação para participar nos encontros deste ano, num contexto de deterioração das relações diplomáticas com Washington. A decisão surge depois de Donald Trump ter acusado o Governo sul-africano de permitir a perseguição de agricultores brancos, alegações rejeitadas pelas autoridades de Pretória.

O ministro das Finanças sul-africano, Enoch Godongwana, classificou a situação como um “recuo temporário”, manifestando a expectativa de que a participação do país seja retomada em 2027, quando o Reino Unido assumir a presidência do grupo.

A exclusão tem suscitado críticas e preocupações quanto à representatividade do G20, embora a União Africana continue a participar enquanto membro permanente.

O grupo integra 19 países, a União Europeia e a União Africana, representando cerca de 85% do Produto Interno Bruto mundial, 75% do comércio internacional e dois terços da população global.

A reunião de Banguecoque constitui, assim, uma oportunidade para discutir respostas coordenadas à inflação, ao endividamento e aos riscos para o crescimento, numa altura em que as divergências políticas dificultam a construção de consensos entre as maiores economias do mundo.

Fonte: Mercados Financeiros