A Anglo American, multinacional do sector mineiro, vai investir 676 milhões de dólares num projecto de processamento de minério de ferro na mina de Sishen, na África do Sul. A exploração é assegurada pela Kumba Iron Ore, empresa produtora de minério de ferro, na província do Cabo Setentrional. O investimento demonstra a confiança nos recursos minerais do país, apesar dos desafios nas infra-estruturas e na regulamentação.
O projecto prevê a utilização de uma tecnologia de separação de minério por meios de ultra-alta densidade. Trata-se de um investimento de grande dimensão, num contexto em que poucos projectos desta magnitude foram anunciados no sector mineiro sul-africano nos últimos anos. A iniciativa reforça o interesse dos investidores no potencial mineral da África do Sul.
Na conferência de mineração Joburg Indaba, Duncan Wanblad, director-executivo da Anglo American, afirmou que o país continua a ser um destino importante para o investimento, apesar da volatilidade. O responsável defendeu, contudo, a criação de condições mais competitivas para as empresas que pretendem desenvolver novos projectos, considerando necessárias melhorias no ambiente de negócios.
A atracção de investimento é sustentada pelas vastas reservas minerais e pela disponibilidade de competências no país. A África do Sul é também uma das principais fontes mundiais de metais do grupo da platina (PGM), utilizados, entre outros sectores, nas indústrias automóvel e química, onde a procura se mantém estável.
Apesar destas vantagens, o desenvolvimento de projectos enfrenta obstáculos operacionais. Os atrasos administrativos afectam os prazos de execução, enquanto as limitações das infra-estruturas ferroviárias e portuárias aumentam os custos e dificultam as exportações. Duncan Wanblad apontou estes problemas como prioridades para as reformas do sector.
O director-executivo defendeu a simplificação dos processos de licenciamento, o reforço das infra-estruturas de transporte e a melhoria da segurança energética. Sugeriu também a modernização do cadastro mineiro, sistema que regista informações sobre as licenças e as áreas disponíveis para exploração, para aumentar a transparência e reduzir a incerteza dos investidores.
A PwC, rede internacional de serviços de auditoria e consultoria, indicou que o investimento limitado nos últimos anos, aliado ao aumento dos custos e aos constrangimentos logísticos, tem pressionado a produção mineira. Entretanto, a African Rainbow Minerals, empresa sul-africana do sector mineiro, aprovou o projecto de metais do grupo da platina de Bokoni, avaliado em cerca de 935 milhões de dólares. O Conselho de Minerais referiu ainda que existem 4,22 mil milhões de dólares em investimentos comprometidos e prontos para implementação, sobretudo para manter a produção actual.
Segundo informações divulgadas na conferência Joburg Indaba, “os recursos minerais da África do Sul continuam sendo um investimento viável quando as condições operacionais se tornarem mais previsíveis”. A aquisição privada de electricidade está a avançar para responder às limitações no fornecimento de energia. A rapidez na aprovação de projectos, a modernização do cadastro mineiro e o reforço das capacidades ferroviária e portuária serão determinantes para transformar o potencial mineral do país em investimento sustentado.
Fonte: Further Africa





