Quem gere uma empresa em Moçambique sabe que poucas decisões de negócio terminam realmente na fronteira. Um equipamento pode vir da África do Sul, da Europa ou da Ásia. O financiamento pode envolver diferentes moedas e geografias. Um fornecedor pode estar num país, o accionista noutro e o Cliente final noutro ainda. Uma operação que parece local pode depender de uma cadeia logística regional, de pagamentos internacionais, de exposição cambial ou de decisões tomadas a milhares de quilómetros de distância.

Esta é, cada vez mais, a realidade de fazer negócios em África.

Falamos muitas vezes do continente como um mercado de mais de mil milhões de pessoas. É uma imagem poderosa, mas simplifica uma realidade bastante mais interessante. África não é um mercado. É uma rede de mercados, profundamente diferentes entre si, mas cada vez mais ligados por capital, comércio, infra-estruturas, tecnologia e pessoas.

Para as empresas, perceber essas ligações pode ser tão importante como conhecer o mercado onde operam.

Moçambique é um bom exemplo. Energia, recursos naturais, agro-negócio, logística e infra-estruturas são sectores que dificilmente podem ser analisados apenas numa perspectiva nacional. Os corredores logísticos ligam o País às economias do interior da região e estas aos mercados internacionais. Empresas instaladas em Moçambique compram, vendem, financiam-se e estabelecem parcerias fora do País. Grandes projectos juntam promotores internacionais, fornecedores locais e regionais, instituições financeiras e empresas especializadas de diferentes geografias.

Neste contexto, a complexidade já não está apenas na dimensão de uma operação. Está no número de ligações que é necessário fazer funcionar.

É também por isso que o papel da Banca Corporativa e de Investimento mudou. Capital continua, naturalmente, a ser essencial. Mas disponibilizar capital é apenas uma parte da equação. Uma empresa que está a financiar um projecto, a expandir uma operação ou a entrar numa nova cadeia de valor pode ter de pensar simultaneamente em estrutura de financiamento, moeda, liquidez, pagamentos, comércio internacional e risco. E algumas das decisões mais importantes não são exclusivamente financeiras: dependem de compreender o sector, o mercado e aquilo que está a acontecer noutras geografias.

É neste ponto que conhecimento local e capacidade regional deixam de ser conceitos institucionais e passam a ter valor prático.

No Absa Bank Moçambique, trabalhar com empresas que operam nestes sectores significa conhecer a realidade do negócio no País, mas também conseguir olhar para além dela. A presença do Grupo Absa em diferentes mercados africanos permite reunir conhecimento, experiência sectorial e capacidade financeira em várias geografias, acompanhando operações cuja lógica económica não termina necessariamente onde começa.

Nem todas as empresas precisam de ser regionais. Mas praticamente todas beneficiam de compreender a rede económica da qual fazem parte

Para Patrícia Darsam, Directora da Banca Corporativa e de Investimento do Absa Bank Moçambique, esta capacidade de estabelecer ligações tornou-se uma parte essencial da relação com as empresas.

“Os nossos Clientes não olham para o seu negócio através da estrutura de um banco. Olham para uma decisão que precisam de tomar, um projecto que querem concretizar ou um problema que precisam de resolver. O nosso papel é perceber essa realidade por inteiro. Muitas vezes, isso significa juntar conhecimento local, experiência sectorial e capacidade que existe noutros mercados do Grupo para encontrar a estrutura mais adequada e apoiar o cliente na melhor decisão para o seu contexto.”

Esta diferença é particularmente visível em operações de maior dimensão. Um projecto de infra-estrutura, energia ou logística pode exigir diferentes fontes de financiamento e envolver várias instituições. Uma empresa integrada numa cadeia internacional pode precisar de gerir fluxos financeiros em diferentes moedas e mercados. Um negócio que cresce pode descobrir que a sua próxima oportunidade está num país vizinho, ou que o seu próximo parceiro, fornecedor ou Cliente está fora de Moçambique.

Nenhuma destas situações se resolve com um único produto financeiro. Resolve-se primeiro compreendendo o negócio e, depois, reunindo as capacidades necessárias para o acompanhar.

A tecnologia tornou uma parte desta complexidade mais simples. Hoje, uma empresa pode gerir pagamentos nacionais e internacionais, operações cambiais, comércio internacional, impostos e diferentes níveis de aprovação num único ambiente digital, como acontece através da nossa plataforma Absa Access. É uma ferramenta essencial, sobretudo para organizações com operações complexas.

Mas há uma distinção que importa fazer: a tecnologia facilita transacções; não substitui conhecimento. Quanto maior é a decisão, mais relevante se torna ter acesso a pessoas que compreendem o sector, conseguem identificar riscos, conhecem diferentes mercados e podem trazer para a mesma conversa experiência acumulada noutras operações.

Os corredores logísticos ligam Moçambique à região e aos mercados internacionais

É uma lógica particularmente importante em África porque aquilo que funciona num mercado não deve simplesmente ser replicado noutro.

As diferenças regulatórias, económicas, cambiais e operacionais são reais. Também o são as diferenças na maturidade dos sectores, nas infra-estruturas disponíveis e na forma como as cadeias de valor estão organizadas. A capacidade de operar regionalmente não está, portanto, em tratar África como se fosse um único mercado. Está exactamente no contrário: compreender suficientemente bem cada mercado para conseguir ligá-los.

Para uma empresa em Moçambique, esta perspectiva abre possibilidades interessantes. Pode significar encontrar estruturas de financiamento que recorrem à capacidade disponível fora do País. Pode significar facilitar uma operação comercial noutra geografia. Pode significar aproveitar experiência adquirida num projecto semelhante noutro mercado africano. Ou, simplesmente, permitir que uma decisão local seja tomada com uma visão mais ampla do sector e da região.

Nem todas as empresas precisam de ser regionais. Mas praticamente todas beneficiam de compreender a rede económica da qual fazem parte.

Esta talvez seja uma das mudanças mais interessantes na forma como devemos pensar os negócios em África. Durante muito tempo, a conversa esteve centrada no tamanho da oportunidade africana. Hoje, para quem já está a fazer negócios no continente, a questão é mais concreta: como navegar nesta oportunidade?

A resposta começa por reconhecer que os mercados africanos são diferentes, mas não estão isolados. Entre eles circulam capital, mercadorias, conhecimento, tecnologia e pessoas. Quanto melhor conseguirmos estabelecer essas ligações, mais possibilidades criamos para as empresas que operam em cada um deles.

É nesta capacidade de ligar que uma banca verdadeiramente africana pode fazer a diferença.