Da conectividade 5G de nova geração ao acesso ao crédito pelo M-Pesa e às ferramentas da Vodacom Business para PME, a operadora apresentou na feira diferentes caminhos para aproximar a tecnologia das necessidades dos moçambicanos.
O que muda na vida de uma empresa quando consegue trabalhar e comunicar em tempo real? E que diferença faz, para um cidadão, poder pedir um serviço financeiro sem percorrer dezenas de quilómetros? Na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), a Vodacom organizou a sua presença em torno destas perguntas. O 5G ocupou o centro do stand, acompanhado de soluções do M-Pesa e da Vodacom Business destinadas a responder a necessidades concretas de cidadãos e empresas.
O 5G para além da velocidade
A Vodacom apresentou o 5G através de demonstrações tecnológicas, experiências interactivas e conversas sobre as possibilidades da conectividade de nova geração. O objectivo foi mostrar aos visitantes como uma rede com maior capacidade de transmissão e menor tempo de resposta pode apoiar novas formas de trabalhar, colaborar e prestar serviços. Para uma empresa, o interesse da tecnologia vai além da rapidez com que se descarrega um ficheiro. Está na possibilidade de ligar equipas e operações em tempo real, utilizar aplicações mais exigentes e desenvolver serviços digitais que dependem de uma ligação estável. Para os consumidores, a melhoria da conectividade pode alargar o acesso a experiências e serviços que hoje são condicionados pela qualidade da rede.
“Através de demonstrações práticas, experiências interactivas e partilha de conhecimento, os visitantes poderão descobrir como esta tecnologia pode aumentar a produtividade, impulsionar a inovação e acelerar a inclusão digital”, afirmou a Vodacom na apresentação do programa preparado para a feira.
A distância entre uma demonstração e a utilização quotidiana, contudo, depende da disponibilidade da rede, dos equipamentos e da capacidade de cada pessoa ou organização para adoptar novos serviços. Foi neste contexto mais amplo de transformação digital que a operadora apresentou também soluções financeiras e empresariais já orientadas para tarefas do dia-a-dia.
Para negócios cuja actividade pode variar ao longo do mês, a forma como se contratam e pagam serviços tem relevância na organização da tesouraria
M-Pesa procura encurtar a distância para o crédito
Um professor colocado num distrito onde a agência bancária mais próxima fica a dezenas de quilómetros pode ter de pagar transporte, reorganizar compromissos e perder um dia de trabalho apenas para apresentar um pedido de financiamento. Foi o exemplo escolhido por Sérgio Gomes, director-geral do M-Pesa, para explicar o problema que uma nova parceria pretende enfrentar.
“E é esta distância que decidimos encurtar hoje”, afirmou. O acordo celebrado entre o M-Pesa, o Máximo Microbanco e o Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF) prevê a disponibilização do “Adianta-Lá”, um produto de adiantamento salarial do Máximo Microbanco, através do telemóvel.
A iniciativa insere-se numa transformação mais ampla dos canais de acesso aos serviços financeiros em Moçambique. Segundo o Banco de Moçambique, no Relatório de Inclusão Financeira 2025, os pontos de acesso cresceram 36% naquele ano, impulsionados sobretudo pela expansão dos agentes de moeda electrónica. Persistem, porém, diferenças regionais: a cidade e a província de Maputo apresentam os maiores níveis de cobertura, enquanto Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado registam os mais baixos.
É sobre o tempo e o custo de chegar a um serviço que a parceria procura actuar. Segundo o M-Pesa, o universo potencial abrange mais de 380 mil funcionários e agentes do Estado. A concessão do financiamento continua sujeita aos critérios de elegibilidade do produto e à aprovação de cada pedido.
O funcionamento reúne as competências das três instituições. O Máximo Microbanco define as condições e analisa os pedidos de crédito; o CEDSIF apoia a validação da elegibilidade e a operacionalização da retenção salarial; e o M-Pesa disponibiliza o canal através do qual o cliente solicita e recebe o montante aprovado.
O pedido é feito pelo menu *150#, sem necessidade de smartphone ou ligação à Internet. Depois da autorização de acesso aos dados necessários, da confirmação por PIN e da aprovação do financiamento, o montante é creditado na conta M-Pesa. O reembolso realiza-se numa única prestação, por retenção salarial, segundo o modelo apresentado para o produto.
Para Manuel António dos Santos, presidente do conselho de administração do CEDSIF, esta articulação permite aplicar a transformação digital a uma dificuldade concreta. “Tradicionalmente, o acesso ao crédito formal impõe barreiras burocráticas e processos demorados que geram inconvenientes no dia-a-dia”, afirmou.

Vodacom Business leva ferramentas digitais às pequenas empresas
Numa pequena empresa, a mesma pessoa pode atender clientes, negociar com fornecedores, emitir facturas e acompanhar pagamentos. O tempo dedicado a cada tarefa pesa na capacidade de vender e de manter o negócio a funcionar. É para este quotidiano que a Vodacom Business apresentou o «Meu Negócio», uma oferta de pacotes pré-pagos dirigida às micro, pequenas e médias empresas (MPME).
A proposta combina voz e dados com ferramentas de comunicação, presença comercial e gestão. Segundo Íris Chivite Guimarães, directora da área de PME da Vodacom, a oferta foi concebida a partir das dificuldades identificadas junto dos negócios, tanto na capacidade de suportar custos como na utilização de soluções digitais. “Era necessário trazer uma oferta muito mais acessível”, explicou.
A opção pelo regime pré-pago tem relevância para empresas cuja actividade e disponibilidade de tesouraria podem variar ao longo do mês. “Decidimos manter a oferta em pré-pago, primeiro para dar mais benefícios, porque acreditamos que quem tem um negócio provavelmente tem mais necessidade de falar com clientes e parceiros”, afirmou Íris Chivite Guimarães.
Entre as ferramentas apresentadas estão correio electrónico com domínio próprio, criação de páginas de Internet, licenças Microsoft, soluções para reuniões online, software de facturação e aplicações de gestão de páginas e marcações. A plataforma Bazaar acrescenta uma possibilidade de comércio electrónico.
Na prática, uma empresa de serviços poderá gerir marcações e comunicar com clientes à distância; um comerciante poderá divulgar produtos e receber encomendas por canais digitais. Reunir estas funções numa oferta pode facilitar a organização de actividades antes dispersas, embora o resultado dependa da adequação das ferramentas a cada negócio e da sua utilização efectiva. A continuidade da actividade é outro argumento apresentado pela Vodacom Business. Quando o funcionamento presencial fica condicionado, manter contacto com clientes e fornecedores pode ajudar a preservar parte da operação. “Hoje, aqueles que não operam digitalmente dificilmente conseguirão garantir a continuidade do seu negócio”, defende Íris Chivite Guimarães. A adesão à oferta pressupõe que a empresa possua a licença de actividade exigida pelo Estado.
Tecnologia com aplicação no quotidiano
As soluções mostradas na FACIM actuam em escalas diferentes. O 5G aponta para novas capacidades de conectividade e para serviços que poderão desenvolver-se sobre elas. O M-Pesa procura simplificar o acesso a um produto financeiro específico. A Vodacom Business reúne ferramentas destinadas à comunicação e à gestão de pequenos negócios.
Em conjunto, mostram a intenção da Vodacom de ligar o investimento em tecnologia a necessidades reconhecíveis: trabalhar à distância, chegar a clientes, gerir uma empresa ou aceder a financiamento com menos deslocações. O alcance destas soluções será medido pela capacidade de as tornar disponíveis e úteis no quotidiano dos moçambicanos.
Texto Nário Sixpene • Fotografia D.R.





