O embaixador da Índia em Lisboa, Puneet Roy Kundal, defendeu a reforma das Nações Unidas, sobretudo do Conselho de Segurança, e da Organização Mundial do Comércio (OMC), por considerar necessária uma nova ordem multilateral que reflicta as realidades internacionais actuais.
Em declarações à agência Lusa, à margem da conferência “BRICS+ Num Mundo Multipolar: Poder, Cooperação e Conflito”, organizada pelo Observatório do Mundo Islâmico (OMI) na Mesquita de Lisboa, o diplomata afirmou que o principal desafio internacional é a actual ordem mundial já não representar a realidade geopolítica e económica.
“Os BRICS são uma plataforma aberta que tinha cinco membros e agora são 11. É uma plataforma que acredita no multilateralismo, em dar voz ao Sul Global, no desenvolvimento e em abrir opções para países em todo o mundo”, afirmou Kundal. “O maior desafio que existe no mundo hoje é que a ordem actual não representa as realidades do mundo hoje”, acrescentou.
Segundo o embaixador, a arquitectura financeira internacional e os mecanismos de segurança existentes reflectem circunstâncias históricas que já não correspondem à realidade. “Esta arquitectura financeira, a segurança que existe, representa o que aconteceu no início da Segunda Guerra Mundial. As realidades mudaram-se”, sustentou. A reconfiguração da ordem multilateral é uma das prioridades do bloco de economias emergentes e países em desenvolvimento.
Essa posição ficou reflectida na declaração conjunta aprovada na 18.ª Cimeira dos BRICS, realizada em Setembro, em Nova Deli. Depois de ultrapassarem divergências diplomáticas relacionadas com as tensões no Médio Oriente, os líderes dos 11 países defenderam a reforma da ordem económica mundial e o reforço do multilateralismo, e criticaram as sanções unilaterais e as guerras tarifárias.
“Os BRICS são uma plataforma aberta que tinha cinco membros e agora são 11. É uma plataforma que acredita no multilateralismo, em dar voz ao Sul Global, no desenvolvimento e em abrir opções para países em todo o mundo”
“Se olhar para a declaração dos BRICS, nós também falamos da reforma da Organização Mundial do Comércio e de uma ordem de mercado equitativa, com a OMC no centro. Claro, o Conselho de Segurança da ONU também é parte disso”, declarou Kundal, que recordou o apoio de Portugal à candidatura da Índia a membro permanente do Conselho de Segurança. A Índia é o país mais populoso do mundo, a quarta maior economia e um contribuinte regular para as Nações Unidas.
Sobre os conflitos internacionais, o embaixador citou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para quem chegou o momento de “acabar com as guerras em vez de continuar com guerras infindáveis”. Kundal afirmou ainda que a Índia está disponível para contribuir para os esforços de paz entre a Rússia e a Ucrânia e que fará o necessário para promover a paz, a segurança e o desenvolvimento.
“Temos boas relações com a Palestina, temos boas relações com Israel e este documento dos BRICS também especifica que a destruição da infra-estrutura civil e as atrocidades contra os civis devem parar”, afirmou o diplomata, para quem a Índia tem desempenhado um papel construtivo na procura de soluções para os conflitos.
Questionado sobre as divergências políticas e militares entre a Arábia Saudita e o Irão, ambos membros dos BRICS, Kundal sublinhou que os dois países subscreveram a declaração de Nova Deli, apesar das tensões regionais. “O facto de os dois terem assinado a declaração de Deli significa que conseguimos encontrar um ponto comum entre eles. A paz é sempre desejável”, concluiu.





