A startup moçambicana Taka Energy, fundada por Yury Francisco, integra o grupo de 30 startups e pequenas e médias empresas africanas seleccionadas para o Food and Energy Sovereignty Challenge 2026. A iniciativa da União Africana (UA) procura aproximar soluções tecnológicas locais de investidores, parceiros industriais e mercados, para reforçar a autonomia alimentar e energética do continente.
A empresa é a única representante de Moçambique na lista divulgada pela Comissão da União Africana, a 12 de Junho, e foi seleccionada para a vertente de soberania energética.
Fundada em 2024, a Taka Energy transforma resíduos orgânicos provenientes de famílias, escolas, mercados e pequenas explorações agrícolas em briquetes e biogás. Segundo a sua apresentação institucional, desenvolve também biodigestores e fertilizantes orgânicos, procurando aproveitar os resíduos para produzir energia e apoiar a actividade agrícola.
A empresa pretende reduzir a dependência do carvão vegetal, diminuir a poluição do ar e promover a economia circular nas comunidades moçambicanas. Estes objectivos assentam na recolha e transformação de matérias orgânicas em produtos com utilização doméstica e agrícola.
O Food and Energy Sovereignty Challenge 2026 foi lançado a 11 de Maio pela Comissão da União Africana, através dos departamentos responsáveis pelo desenvolvimento económico, agricultura, ambiente, infra-estruturas, energia, educação, ciência e tecnologia.
Sob o lema “Rooted and Powered in Resilience”, a iniciativa procura apoiar tecnologias africanas com capacidade para responder às necessidades do continente e aumentar a sua escala de produção.
Entre os critérios de selecção figuram a inovação, a viabilidade económica, o potencial de expansão, o impacto socioeconómico e a capacidade de execução das equipas. As candidaturas deveriam apresentar, pelo menos, protótipos demonstrados em condições relevantes de utilização ou soluções já presentes no mercado.
O programa prevê facilitar contactos com investidores, instituições de financiamento ao desenvolvimento, empresas e governos, além de apoiar o acesso a mercados e a oportunidades de contratação pública.
Na vertente energética, estão abrangidas soluções de energias renováveis, eficiência energética, mobilidade eléctrica, bioenergia e conversão de resíduos em combustíveis. A componente alimentar inclui tecnologias para a produção agrícola, transformação, conservação, armazenamento e gestão da água.
No anúncio da selecção, a UA previa ainda a participação das empresas na Cimeira Empresarial Africana e a sua apresentação no catálogo Africa Food & Energy Sovereignty 2026, como formas de promover contactos comerciais e dar visibilidade às soluções.
Para a Taka Energy, a integração no programa abre uma oportunidade de procurar financiamento e parcerias para ampliar a produção. A selecção, contudo, não corresponde ao anúncio de um investimento ou contrato já assegurado.
Fonte: Revista Kabum





