Os ciberataques contra organizações africanas aumentaram 421,4% entre 2016 e 2025, superando o crescimento mundial de 307,3% registado no mesmo período. O alerta consta de um relatório encomendado pela Mastercard, que identifica a rápida expansão dos serviços digitais e a escassez de profissionais especializados como desafios à segurança informática no continente.

Intitulado Africa’s Digital Defense Race, o documento revela que a plataforma Mastercard Cyber Insights identificou 69 236 eventos de cibersegurança dirigidos a organizações africanas em 2025, o equivalente a uma ocorrência a cada oito minutos.

O aumento das ameaças acompanha a transformação digital do continente. Entre 2016 e 2025, o número de utilizadores de serviços de dinheiro móvel multiplicou-se por 5,9, enquanto os utilizadores de serviços bancários digitais aumentaram 4,7 vezes e o mercado do comércio electrónico cresceu 5,3 vezes.

Segundo as projecções citadas no relatório, o mercado africano de pagamentos digitais poderá atingir 1,5 biliões de dólares até 2030, reforçando a necessidade de proteger as infra-estruturas e os serviços que sustentam a actividade económica.

A Nigéria, a África do Sul, Marrocos e o Quénia concentraram, em conjunto, 54,7% dos eventos de cibersegurança observados em África em 2025. Na Nigéria, o relatório destaca a exposição de um dos maiores ecossistemas de tecnologia financeira do continente. Na África do Sul, o sector financeiro foi alvo de 12,6% dos ataques observados em toda a região.

O documento analisa igualmente a evolução da governação da cibersegurança em Marrocos e os desafios enfrentados pelo Quénia na protecção dos sistemas de pagamentos e de outros serviços digitais associados à inclusão financeira.

As organizações dos sectores tecnológico, público e financeiro concentraram 44% da actividade maliciosa identificada. Por sua vez, os dados pessoais, as informações financeiras e os serviços destinados aos clientes representaram, em conjunto, 27% dos activos visados.

O relatório revela ainda que mais de 60% dos eventos cuja autoria foi identificada estavam associados a piratas informáticos maliciosos e a grupos organizados de cibercriminalidade, evidenciando a crescente sofisticação das ameaças.

Outro dos principais desafios é a falta de profissionais qualificados. Segundo a Mastercard, África tinha cerca de 200 mil vagas por preencher na área da cibersegurança no final de 2025, uma carência equivalente a 23% da força de trabalho existente no sector.

Para reforçar a capacidade de resposta, a empresa destaca o Africa Cybersecurity Center of Excellence, iniciativa que reúne organizações públicas e privadas para partilhar informações sobre ameaças, promover boas práticas e preparar equipas para situações de risco.

A importância da cooperação internacional é também ilustrada pela Operação Serengeti 2.0, coordenada pela INTERPOL entre Junho e Agosto de 2025. A iniciativa, que envolveu autoridades de 18 países africanos e do Reino Unido, resultou em 1209 detenções, na recuperação de 97,4 milhões de dólares e no desmantelamento de mais de 11 mil infra-estruturas utilizadas em actividades criminosas.

Perante o crescimento da economia digital, a Mastercard defende o reforço da cooperação entre governos, instituições financeiras e empresas, bem como o investimento na formação de profissionais e na protecção dos sistemas essenciais à prestação de serviços digitais.

Fonte: Tech Africa News