As eleições presidenciais e legislativas da Guiné-Bissau, inicialmente previstas para 6 de Dezembro, terão de ser adiadas devido à falta de condições para a realização da votação. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, que não avançou uma nova data para o escrutínio.

A decisão surge na sequência da crise política iniciada em Novembro do ano passado, quando militares derrubaram o Governo civil, interrompendo o processo eleitoral antes do anúncio dos resultados das eleições presidenciais realizadas nesse mês.

Entretanto, em Agosto, os eleitores aprovaram uma nova Constituição da República, que alargou os poderes presidenciais. Apesar desta alteração, continuam por resolver questões relacionadas com a preparação das eleições e a escolha dos candidatos pelos partidos políticos.

Segundo Ilídio Vieira Té, os partidos ainda não realizaram os respectivos congressos para eleger os seus líderes. Além disso, os potenciais candidatos não cumpriram o prazo de 6 de Outubro para apresentar as candidaturas junto do Supremo Tribunal da Guiné-Bissau.

Perante estes obstáculos, o primeiro-ministro reiterou que não estão reunidas as condições necessárias para avançar com a votação na data prevista. “Não existem condições para a realização das eleições previstas para 6 de Dezembro”, afirmou o governante, sem indicar quando poderá ser realizado o escrutínio.

Recentemente, o Governo de transição impediu o antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló de regressar ao país, alegando razões de segurança nacional. O antigo chefe de Estado tinha previsto regressar para concorrer às eleições presidenciais.

A situação política tem sido também marcada por denúncias de repressão da oposição. Activistas da sociedade civil acusam o actual Governo de transição de recorrer ao medo para silenciar a dissidência política, apontando como exemplo o homicídio ainda por esclarecer de Vigário Luís Balanta, um rapper popular e fundador de um movimento político.

O Governo nega qualquer envolvimento no assassinato de Vigário Luís Balanta e afirma estar a investigar o caso para identificar os responsáveis. A crise política mantém-se, num contexto em que a realização das eleições continua sem nova data definida.

Fonte: Reuters