A ministra das Finanças, Carla Louveira, representou Moçambique esta segunda-feira (12) no 17.º Diálogo Ministerial do V20, realizado em Banguecoque, na Tailândia. O encontro reuniu ministros das Finanças de países vulneráveis às alterações climáticas para discutir formas de financiar o desenvolvimento económico e reforçar a capacidade de resposta aos riscos climáticos, de acordo com um comunicado citado pelo Club of Mozambique.

Subordinado ao tema “Desenvolvimento e Implementação num Mundo Multipolar”, o diálogo decorreu em paralelo com as Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial. O V20 é uma iniciativa de cooperação económica que reúne países particularmente expostos aos efeitos das alterações climáticas. Trabalha em parceria com o Fórum dos Países Vulneráveis às Mudanças Climáticas (CVF) e constitui um dos principais espaços de coordenação entre os ministros das Finanças dos países-membros. Nesta edição, as discussões centraram-se na mobilização de recursos para impulsionar o desenvolvimento económico, promover a industrialização e reforçar a capacidade dos países para enfrentar os efeitos das alterações climáticas.

A reunião decorreu num contexto de ocorrência cada vez mais frequente e intensa de fenómenos climáticos extremos. Perante este cenário, os ministros procuraram não só aumentar o financiamento disponível, mas também melhorar a forma como os recursos são mobilizados e aplicados, de modo a responder às necessidades dos países em desenvolvimento mais vulneráveis.

Entre as principais prioridades estiveram o acesso a financiamento concessional de longo prazo, concedido em condições mais favoráveis do que as habituais, e a mobilização de investimento privado. Os participantes procuraram igualmente reforçar o controlo dos países sobre as suas próprias estratégias de desenvolvimento e promover instrumentos financeiros que permitam responder aos choques climáticos, fortalecer a resiliência económica e desenvolver as capacidades nacionais.

Outro ponto em debate foram os riscos associados ao El Niño e a possibilidade de intensificação dos fenómenos climáticos extremos ainda este ano. As projecções apresentadas no encontro apontaram para potenciais perdas económicas acumuladas de cerca de 3,9 biliões de dólares a nível mundial, o equivalente a aproximadamente 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

O diálogo reuniu ministros das Finanças de países vulneráveis às alterações climáticas e representantes de instituições financeiras de desenvolvimento, incluindo bancos multilaterais de desenvolvimento. Participaram também parceiros do Grupo dos 7 (G7), do Grupo dos 20 (G20), do Grupo dos 24 (G24) e dos BRICS, que integram economias de diferentes regiões do mundo.

Estiveram ainda presentes organizações regionais e multilaterais, representantes do sector privado e outros parceiros de desenvolvimento. A participação destes intervenientes procurou reforçar a coordenação na mobilização de recursos financeiros destinados a apoiar o desenvolvimento económico e a capacidade dos países vulneráveis para prevenir, enfrentar e recuperar dos efeitos das alterações climáticas.