A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) vai admitir à cotação, esta quarta-feira, 14 de Outubro, a MECTS, tornando-a a primeira empresa resultante de uma Parceria Público-Privada (PPP) a entrar no mercado bolsista nacional. A operação eleva para 17 o número de empresas cotadas e concretiza um passo na abertura destes negócios à participação de investidores nacionais.
A entrada da tecnológica moçambicana aproxima o mercado de capitais de uma actividade estratégica para a economia: a monitorização electrónica das mercadorias que atravessam o território nacional. A MECTS opera o Sistema Electrónico de Selagem e Rastreio de Carga em Trânsito (SEERC), em parceria com a Autoridade Tributária de Moçambique.
Segundo um comunicado da BVM enviado ao Diário Económico, a admissão evidencia o papel da bolsa na aproximação das empresas aos investidores e na diversificação das alternativas de financiamento. A cerimónia está prevista para o Hotel Polana, em Maputo, com a participação do Presidente da República, Daniel Chapo, de representantes do Governo, do sector financeiro e do empresariado.
Uma Porta de Entrada Para Investidores Nacionais
O processo de admissão teve início em Junho, com a apresentação do pedido pela empresa, após o registo das suas acções na Central de Valores Mobiliários (CVM). A operação enquadra-se no regime das PPP, dos projectos de grande dimensão e das concessões empresariais, estabelecido pela Lei n.º 15/2011.
Em Setembro, o assessor da BVM, João Rodrigues, explicou que este enquadramento prevê a disponibilização de uma parcela do capital dos empreendimentos abrangidos a investidores nacionais, através do mercado bolsista. Segundo o responsável, essa participação pode situar-se entre 5% e 20%, nos termos aplicáveis a cada projecto.
A informação disponível não identifica, contudo, a percentagem do capital da MECTS que será disponibilizada, o preço das acções ou o montante associado à operação. Estes elementos serão determinantes para avaliar a dimensão da oportunidade para os investidores.

Tecnologia ao Serviço dos Corredores Logísticos
A actividade da MECTS assenta no desenvolvimento e na operação de sistemas digitais destinados à modernização de processos institucionais e empresariais. No caso do SEERC, a tecnologia permite acompanhar electronicamente a carga em trânsito, através de selos electrónicos, plataformas de localização e um centro de monitorização.
Segundo a empresa, o sistema procura prevenir a evasão fiscal, combater o contrabando e reduzir perdas de mercadorias, facilitando simultaneamente o trânsito pelos principais corredores e fronteiras. A proposta de valor combina, assim, controlo aduaneiro, segurança da carga e eficiência logística.
O portefólio da tecnológica inclui também sistemas integrados de gestão empresarial, soluções de monitorização de combustíveis e ferramentas de gestão e facturação fiscal, alargando a sua presença na digitalização de serviços públicos e privados.
Receitas da Concessão Crescem 155,6%
A entrada em bolsa ocorre num período de crescimento das receitas entregues ao Estado no âmbito da concessão associada à actividade da MECTS. Segundo dados do Ministério das Finanças, estas receitas aumentaram 155,6% no primeiro semestre de 2026, atingindo 49 milhões de meticais, em contraste com a redução global das receitas provenientes das concessões públicas.
O indicador traduz a evolução da contribuição da concessão para os cofres públicos. Não corresponde, porém, à facturação ou ao lucro da empresa, cuja análise exige informação financeira própria.
Registo de Empresas Pode Alimentar Novas Admissões
A MECTS chega ao mercado numa altura em que a BVM procura ampliar a base de empresas com condições para entrar em bolsa. Em Setembro, João Rodrigues revelou que cerca de 100 sociedades anónimas deveriam efectuar o registo obrigatório das suas acções na CVM e que, até Maio, 14 novas empresas tinham concluído esse processo.
O registo não equivale à admissão à cotação, mas constitui uma etapa para as sociedades que reúnam os requisitos de acesso ao mercado. Entre os benefícios apontados pela BVM estão maior visibilidade, reforço da confiança dos investidores e melhoria das práticas de governação.
Com a MECTS, a bolsa passa de 16 para 17 empresas cotadas. Para o mercado moçambicano, o alcance da operação vai além desse aumento: cria um precedente para a entrada de outras PPP e concessões, alargando as possibilidades de participação dos investidores nacionais em negócios ligados a sectores estratégicos.





