O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) prestou assistência humanitária a 498 765 pessoas em Moçambique, das quais 363 351 crianças, com financiamento do Fundo Humanitário de Moçambique (MOZ HF). O apoio abrangeu serviços de saúde, nutrição, abastecimento de água, saneamento, protecção infantil e assistência monetária às famílias afectadas por conflitos e cheias.

De acordo com dados divulgados pela agência das Nações Unidas, referentes ao período até 31 de Agosto de 2026, o financiamento permitiu reforçar a prestação de serviços essenciais às populações vulneráveis, sobretudo nas comunidades de difícil acesso, onde as emergências humanitárias continuam a comprometer as condições de vida.

Na área da saúde, o programa assegurou a realização de 363 194 consultas de cuidados primários, um resultado correspondente a 160% da meta inicialmente estabelecida. O desempenho reflecte a ampliação do acesso aos serviços de saúde em comunidades onde as distâncias e as dificuldades de circulação condicionam o funcionamento regular das unidades sanitárias.

A intervenção contemplou igualmente a área da nutrição, com destaque para o tratamento de crianças com desnutrição aguda grave, através de cuidados especializados destinados a reduzir os riscos associados à insegurança alimentar e às situações de emergência.
No sector de água e saneamento, a UNICEF indica que as actividades de fornecimento de água segura e promoção de práticas de higiene ultrapassaram as metas estabelecidas em determinadas componentes do programa. Estas intervenções procuram reduzir a exposição das comunidades a doenças relacionadas com a falta de água potável e de condições adequadas de saneamento.

O financiamento permitiu ainda desenvolver acções de protecção infantil e disponibilizar assistência monetária a famílias afectadas por emergências, com o objectivo de apoiar a satisfação de necessidades imediatas e contribuir para a recuperação das suas condições de vida. Segundo a UNICEF, a combinação destas intervenções permite responder simultaneamente a diferentes necessidades das populações, assegurando o acesso a serviços básicos e reforçando a capacidade de resposta das comunidades perante situações de vulnerabilidade.

A agência das Nações Unidas alerta, entretanto, que os conflitos e as cheias continuam a agravar as necessidades humanitárias em Moçambique, particularmente nas localidades remotas, onde as dificuldades de acesso limitam a prestação regular de assistência.
O Fundo Humanitário de Moçambique constitui um mecanismo de financiamento de intervenções de emergência, destinado a apoiar respostas rápidas e coordenadas em diferentes sectores, com prioridade para as populações mais vulneráveis. No âmbito desta intervenção, as crianças representam aproximadamente 73% do total de beneficiários, evidenciando o peso da população infantil entre as pessoas abrangidas pela assistência humanitária.

Texto: Felisberto Ruco