A Electricidade de Moçambique (EDM) vai investir mais de 19 milhões de euros numa nova subestação e numa linha de transporte de energia em Tete, lançando ainda este trimestre o concurso para as obras, segundo anunciou nesta sexta-feira, 9 de Outubro, a empresa.
“Já temos o consultor apontado, portanto o concurso vai ser lançado, em princípio, ainda ao longo deste trimestre”, afirmou o administrador executivo da Electricidade de Moçambique (EDM), António Munguambe, durante a Conferência Internacional de Investimentos, realizada na cidade de Tete, no centro do País.
O projecto, avaliado em mais de 19 milhões de euros, prevê a construção de uma linha eléctrica e de uma subestação, com um nível de tensão de até 66 quilovolts (kV), destinadas a reforçar as infra-estruturas de transporte e distribuição de energia na província de Tete.
Segundo o responsável, o investimento integra a estratégia da EDM para desenvolver os chamados “corredores verdes”, concebidos para aumentar a capacidade da rede eléctrica e facilitar a integração de fontes de energia renovável.
“Temos corredores verdes, é uma definição que nós decidimos trazer para o nosso conceito de desenvolvimento da nossa matriz”, explicou.
Munguambe adiantou que a iniciativa procura preparar as infra-estruturas eléctricas para o crescimento da procura e a diversificação das fontes de produção.
“Passa por criar autoestradas para que a gente possa potenciar não só as energias tradicionais, mas a inserção ou a integração de novas energias renováveis no sistema”, acrescentou.
A primeira fase deverá abranger o corredor entre Songo, onde se localiza a barragem de Cahora Bassa, e Matambo, cuja subestação está situada no distrito de Changara.
O administrador executivo garantiu que o financiamento do projecto já está assegurado, embora não tenha especificado o valor destinado à componente da linha eléctrica.
A província de Tete, onde se situa a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, concentra algumas das principais infra-estruturas de produção e transporte de energia de Moçambique, assumindo um papel central no abastecimento eléctrico nacional e regional.
O investimento integra a estratégia da EDM para desenvolver os chamados “corredores verdes”, concebidos para aumentar a capacidade da rede eléctrica e facilitar a integração de fontes de energia renovável.
O investimento surge numa altura em que a produção de electricidade em Moçambique apresenta sinais de recuperação, após as dificuldades provocadas pelas condições hidrológicas adversas de 2025.
No primeiro semestre de 2026, a produção nacional aumentou 8,8%, para cerca de 8,06 milhões de megawatts-hora (MWh), contra 7,41 milhões de MWh no período homólogo do ano anterior.
Segundo os dados do Governo relativos à execução do primeiro semestre, este volume correspondeu a 49,9% da meta anual de 16,17 milhões de MWh.
A recuperação foi impulsionada pela melhoria das condições na albufeira de Cahora Bassa. Em Julho, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa anunciou que o armazenamento útil tinha atingido 56%, depois de ter descido para cerca de 20% em 2025, permitindo aliviar as restrições operacionais.
A empresa indicou ainda que a produção de electricidade aumentou 13% no primeiro semestre.
Os resultados contrastam com os de 2025, quando a produção nacional caiu 25,4%, para 14,4 milhões de MWh, devido sobretudo à quebra de 30,7% na geração hidroeléctrica.
Fonte: Lusa





