A Alemanha passou a aplicar, a partir da vindima de 2026, um novo sistema de classificação dos vinhos que atribui maior importância à origem geográfica das uvas. Quanto mais específica for a proveniência, mais elevado será o nível ocupado pelo vinho na hierarquia estabelecida pela legislação.

A alteração resulta de uma reforma da legislação vitivinícola aprovada em 2021, que estabeleceu um período de transição até à vindima de 2025. Concluído esse prazo, o novo modelo passa a aplicar-se integralmente aos vinhos da colheita de 2026.

A reforma aproxima a Alemanha de outros sistemas europeus que valorizam a origem geográfica como elemento de identificação dos vinhos. Segundo o Instituto Alemão do Vinho (DWI), a proveniência passa a assumir um papel central na diferenciação dos produtos e das suas características.

Nas áreas abrangidas por uma Denominação de Origem Protegida (DOP), a nova hierarquia estabelece quatro níveis, definidos de acordo com a proveniência das uvas.

Na base encontram-se os vinhos produzidos com uvas de uma região vitivinícola inteira. Seguem-se os Regionenweine, provenientes de áreas geográficas mais delimitadas, como Kaiserstuhl.

O terceiro nível corresponde aos Ortsweine, elaborados com uvas de uma localidade específica. No topo estão os Lagenweine, produzidos a partir de vinhas individualmente identificadas, cuja localização permite destacar as características particulares do solo e do microclima.

A legislação alemã reconhece ainda 26 regiões de Landwein, correspondentes a Indicações Geográficas Protegidas (IGP), e 13 regiões de vinhos de qualidade abrangidas por Denominações de Origem Protegidas.

No caso dos vinhos DOP, as uvas devem ser integralmente provenientes da região indicada.

A alteração resulta de uma reforma da legislação vitivinícola aprovada em 2021, que estabeleceu um período de transição até à vindima de 2025.

A reforma mantém as designações tradicionais Kabinett, Spätlese e Auslese, associadas ao grau de maturação das uvas no momento da vindima. No entanto, estas passam a coexistir com uma hierarquia que atribui maior importância à proveniência geográfica.

Uma das razões apontadas para a mudança é o aumento das temperaturas associado às alterações climáticas. Com o aquecimento, muitas vinhas passaram a atingir com maior frequência níveis de açúcar anteriormente característicos de categorias como Spätlese e Auslese.

Esta evolução reduziu a capacidade do teor de açúcar para distinguir determinados perfis de vinho, sobretudo entre os secos.

Segundo o DWI, os vinhos secos representam actualmente mais de metade dos vinhos alemães submetidos a avaliação de qualidade.

A reforma introduz também alterações relacionadas com as expressões Grosses Gewächs e Erstes Gewächs, tradicionalmente associadas aos produtores da VDP (Verband Deutscher Prädikatsweingüter), uma associação alemã de propriedades vitivinícolas.

A nova legislação abre caminho a uma utilização mais abrangente destas designações, embora a sua aplicação dependa do cumprimento de critérios específicos.

Com esta mudança, a Alemanha procura tornar mais clara a identificação da origem dos vinhos, aproximando o seu sistema de classificação dos modelos europeus que valorizam a proveniência das uvas e as características dos territórios vitivinícolas.

Fonte: Revista Adega