Maputo (O Destaque) – O Partido Nova Democracia (ND) considera que a memória de Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique, deve servir de referência para a refundação do Estado, num momento em que o país continua a enfrentar desafios políticos, económicos e sociais, 40 anos após a morte do antigo dirigente.
Numa reacção alusiva aos 40 anos sem Samora Machel, assinalados a 19 de Outubro de 2026, a formação política defende que os ideais de justiça social, integridade, patriotismo, trabalho, inclusão e responsabilidade colectiva devem orientar a construção de um Moçambique mais justo e democrático.
Para a Nova Democracia, a morte de Samora Machel, ocorrida a 19 de Outubro de 1986, permanece uma ferida na memória nacional, cujas circunstâncias exigem rigor histórico, investigação forense e esclarecimento público.
Ao fazer uma leitura dos 40 anos que se seguiram à morte do antigo estadista, o partido considera que Moçambique continua marcado por crises e desigualdades na política, na economia, na defesa e segurança e na arquitectura sociocultural.
No campo político, a ND aponta a corrupção, o nepotismo, a exclusão política, a fragilidade das instituições e as sucessivas fraudes eleitorais como factores que enfraquecem a democracia e comprometem a confiança dos cidadãos. Defende, por isso, uma justiça independente, instituições transparentes e uma economia produtiva, num Estado em que a divergência política não seja tratada como crime.
Na economia, a formação política chama atenção para o contraste entre a riqueza nacional e a pobreza, o desemprego, a fragilidade da agricultura, a insuficiente industrialização e as desigualdades extremas. Critica igualmente o branqueamento de capitais, a lavagem de dinheiro e a existência de projectos considerados fantasmas, defendendo maior transparência na gestão dos recursos públicos.
A mensagem aborda também a situação da defesa e segurança, denunciando a violência contra cidadãos, a repressão de manifestações e as violações dos direitos humanos. Neste domínio, a ND defende que as instituições de segurança devem actuar em obediência à Constituição, à lei e aos estatutos, com a missão de proteger os cidadãos e não de os intimidar.
No plano sociocultural, o partido manifesta preocupação com o individualismo, a insensibilidade perante o sofrimento alheio, a degradação dos valores éticos e morais e as desigualdades no acesso à educação.
Como alternativa, a Nova Democracia propõe uma educação capaz de libertar consciências e formar cidadãos críticos e responsáveis, bem como serviços públicos que respondam às necessidades da população e oportunidades que não dependam da proximidade ao poder.
A formação política defende ainda eleições credíveis, respeito pela oposição, segurança sem repressão e um Estado verdadeiramente democrático, no qual a crítica seja respeitada e a divergência não constitua motivo de perseguição.
Ao concluir a mensagem, sob o lema “Tempo de Vencer, Servir Moçambique”, a Nova Democracia sustenta que a memória de Samora Machel deve ultrapassar a evocação histórica e servir de inspiração para enfrentar os problemas actuais do país, colocando a justiça social, a integridade e o interesse colectivo no centro da governação.



