Moçambique celebrou ontem (4 de Outubro) o “Dia da Paz”, que marca os 34 anos da assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, em Roma, Itália, em 1992, pelo então presidente da República Joaquim Alberto Chissano e o já falecido líder da RENAMO, Afonso Marceta Dhlakama, acto que pôs fim a um conflito que devastou o país inteiro, deixando marcas de luto generalizado por diversos pontos, causando intranquilidade a todos os níveis e afectando barbaramente a indústria e a economia nacional.
Durante o referido conflito, que durou 16 anos, as pessoas ficaram privadas de viajar via terrestre de um ponto ao outro, com receio/medo de serem interceptadas e até por vezes mortas, durante as viagens, mas também eram atacadas em suas residências, em determinadas regiões.
O desporto também foi vítima desta guerra, obrigando à constante reinvenção para mantê-lo em actividade, mas nem sempre com êxito, uma vez que a indefinição determinava as acções na totalidade.
É por ocasião da efeméride (4 de Outubro) que narramos um dos muitos episódios vividos na altura, que, em 1984, felizmente não culminou em tragédia.
O futebol, apesar da instabilidade, teimava em manter-se vivo, e, nessa época, o Maxaquene teve de se deslocar a Manica para enfrentar o Textáfrica, em Chimoio, partida que acabaria por determinar a conquista do primeiro título de campeão nacional para os “tricolores” após a independência.
Sucede que, durante a viagem, o autocarro que transporta a comitiva “tricolor” a Chimoio, já depois de calcorrear a zona Norte de Inhambane, foi interpelado por um grupo de indivíduos armados. Todos os membros da comitiva já tinham acompanhado, pelo menos, um relato hediondo derivado do conflito armado, mas em nenhum momento passava pela sua cabeça viverem como actores principais de um acontecimento similar.



