Três pessoas, incluindo uma criança, perderam a vida neste domingo, na sequência de um incêndio de uma embarcação moçambicana, que fazia ligação lacustre entre Moçambique, Malawi e Tanzânia, através do Lago Niassa. A informação foi reportada este domingo pela Autoridade Reguladora do Transporte Marítimo (ITRANSMAR).
Num comunicado de imprensa enviado à “Carta”, o ITRANSMAR afirma que a embarcação, operada pela empresa pública Transmarítima e baptizada com o nome CHAMBO, pegou fogo quando acabava de largar do porto tanzaniano de Mbamba Bay, com destino ao distrito de Metangula, na província do Niassa.
Segundo o ITRANSMAR, a bordo estavam 43 pessoas, incluindo sete membros da tripulação, das quais 40 foram resgatadas com vida, excepto três pessoas (criança, idoso e um jovem) que perderam a vida. Sublinha que não há qualquer desaparecido e que os ocupantes que necessitavam de cuidados médicos foram submetidos à assistência numa unidade sanitária local.
“Como estado de Bandeira da embarcação, a luz do código internacional de investigação de acidentes e com vista ao esclarecimento das circunstâncias em que ocorreu o incêndio, foi criada uma comissão de investigação do acidente, de modo a trabalhar junto das autoridades tanzanianas para apurar as reais causas e os demais aspectos relacionados com o incidente”, explica a fonte.
Informações obtidas pela “Carta” de fontes na Tanzânia e no Malawi indicam que as três vítimas mortais são de nacionalidades diferentes, incluindo o tanzaniano,Yuston Chatanda, a malawiana, Joyce Chimaliro, e uma menina moçambicana, ainda não identificada, que estava voltando para casa quando ocorreu a tragédia.
A mídia local reporta que o incêndio ocorreu em águas tanzanianas próximo ao distrito de Nyasa, na região do Rovuma, Sul da Tanzânia. Segundo o comissário de Nyasa, Peresi Magiri, entre os passageiros a bordo estavam 23 cidadãos de Moçambique, 15 da Tanzânia, quatro do Malawi e dois do Lesoto.
Magiri afirmou que as autoridades da Tanzânia estavam em contacto com Moçambique e Malawi a respeito dos seus cidadãos. Segundo a fonte, Moçambique já enviou uma pequena embarcação para recolher o corpo da menina que perdeu a vida.
Ele pediu às pessoas que utilizam o transporte lacustre para que sigam as normas de segurança e se certifiquem de que as embarcações possuem bóias e coletes salva-vidas. O comissário também enfatizou a importância de inspeccionar as embarcações antes de utilizá-las.
O responsável distrital afirmou que os esforços iniciais se concentraram no resgate e no combate ao incêndio, e não na causa do problema e garantiu que depois da tragédia não foi imposta nenhuma proibição de circulação de passageiros pelo lago.
Magiri também pediu aos estrangeiros que entram na Tanzânia que portem documentos válidos, para que os seus dados possam ser encontrados rapidamente em caso de emergência.
O CHAMBO, com a matrícula LK-321-AC, operava com bandeira moçambicana, e pegou fogo antes de afundar do lado tanzaniano do lago Niassa. A embarcação tinha capacidade para transportar 100 passageiros e 10 toneladas de carga, incluindo veículos através de uma rampa frontal. O barco constituía uma das principais ligações lacustres da região e tinha retomado operações após trabalhos de recuperação, depois de vários anos de interrupções motivadas por problemas mecânicos.



