Maputo, 05 de Nov (AIM) – A Comissão Política da Frelimo considera que a explosão demográfica em Moçambique, que poderá elevar a população dos actuais 35 milhões para cerca de 60 milhões de habitantes até 2050, constitui uma “bênção” e, simultaneamente, um desafio para o desenvolvimento nacional.

A posição foi apresentada pelo porta-voz da Comissão Política, Pedro Guiliche, durante o habitual briefing à imprensa, após a 77.ª Sessão Ordinária da Comissão Política, presidida pelo Presidente da Frelimo e da República, Daniel Chapo.

Questionado pela AIM sobre se, o crescimento populacional deve ser encarado como uma bênção ou um desafio, Guiliche defendeu que as duas dimensões são indissociáveis, por considerar que o capital humano representa o principal recurso de qualquer nação.

“Não há nada que assegure que um desafio não seja bênção. É um desafio, mas é uma bênção, porque o principal recurso que qualquer nação tem e deve se orgulhar é o factor humano, é o capital humano”, afirmou.

O porta-voz sustentou que o aumento da população deve passar a constituir uma premissa central na definição das políticas económicas e sociais, bem como na materialização da agenda de independência económica defendida por Daniel Chapo.

“Esta é uma grande bênção, porque temos a capacidade de procriar, mas é um grande desafio, porque não podemos procriar sem criar condições para que se viva com dignidade”, declarou.

Guiliche rejeitou, por outro lado, a interpretação de que o crescimento demográfico possa comprometer os esforços do Governo para alcançar a independência económica. Na sua perspectiva, a questão fundamental consiste em adequar o planeamento nacional à realidade demográfica e às necessidades futuras da população.

“Pelo contrário, o que estou a dizer é que o capital humano é o principal factor através do qual nós temos que pensar. Não temos como planificar o desenvolvimento do nosso país, ignorando este factor” vincou.

O politico considerou a Conferência sobre População e Desenvolvimento, realizada em Maputo, um dos momentos mais importantes da governação de Daniel Chapo, por colocar a dinâmica demográfica no centro da formulação das políticas públicas.

A posição da Comissão Política surgiu no mesmo dia em que Daniel Chapo defendeu que a economia moçambicana deve crescer a um ritmo superior ao aumento da população, actualmente estimado em cerca de 2,5 por cento ao ano.

Na abertura da conferência, subordinada ao lema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, o Chefe do Estado afirmou que o crescimento económico deve traduzir-se em mais empregos, melhores salários, maior produtividade e melhores condições de vida.

Moçambique passou de aproximadamente 10 milhões de habitantes, em 1975, para cerca de 35 milhões actualmente. As projecções apontam para 60 milhões até 2050, cenário que exige maior capacidade de resposta dos serviços públicos e da economia.

Chapo defendeu investimentos na educação, saúde, formação profissional e criação de emprego, particularmente para jovens e mulheres. Na educação, apontou a construção de escolas, formação de professores e permanência das raparigas no sistema de ensino. Na saúde, destacou os cuidados primários, a saúde materno-infantil e o combate à desnutrição crónica.

O Presidente identificou ainda a agricultura, o turismo, a energia, a indústria, os transportes, a logística e a economia azul como sectores estratégicos para aumentar a produção e gerar oportunidades de emprego.

(AIM)
Paulino Checo